O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) iniciou sua agenda nesta sexta-feira (20/6) em Goiás visitando um frigorífico em Goiânia, conhecido por estampar sua imagem em embalagens de carne e declarar apoio ao seu nome nas duas últimas eleições. Ainda na primeira agenda, o ex-capitão do exército sentiu um mal-estar e cancelou sua ida à Anápolis para se encontrar com o prefeito Márcio Corrêa (PL). O ex-presidente abreviou sua passagem pelo estado neste feriado de Corpus Christi após se sentir mal devido complicações decorrentes das cirurgias realizadas como parte do tratamento do atentado que sofreu em setembro de 2018. Na noite desta quinta-feira (19) durante discurso na Câmara de Aparecida, Bolsonaro alegou ter vomitado “várias vezes ao longo dia” e demonstrou publicamente dificuldades em discursar durante o início do seu discurso na cerimônia.
Na quinta-feira (19/6), Bolsonaro participou da feira Agrovem, voltada ao agronegócio, setor estratégico de sua base eleitoral. À noite, o ex-presidente recebeu o título de Cidadão Aparecidense, oferecido pelo vereador Dieyme Vasconcelos (PL) em evento realizado no plenário da Câmara Municipal. Durante a cerimônia, com direito a oração de pastor e execução do hino nacional, Bolsonaro alegou estar febril e a solenidade foi encurtada. Mesmo assim, foi acompanhado por aliados próximos, como o deputado federal Gustavo Gayer, o ex-deputado estadual Fred Rodrigues e o senador Wilder Morais, todos do PL, que também receberam o título de cidadania. O advogado e ex-procurador do legislativo aparecidense, Victor Hugo também recebeu a honraria.

Outro ponto de destaque da passagem de Bolsonaro por Goiás foi o encontro reservado com o governador Ronaldo Caiado (União Brasil), realizado no Palácio das Esmeraldas. Apesar das especulações sobre a eleição presidencial de 2026, aliados indicam que a conversa girou em torno da política estadual. Caiado quer viabilizar a candidatura de seu vice, Daniel Vilela (MDB), ao governo do estado. A aliança, no entanto, enfrenta resistência entre os bolsonaristas mais fiéis, que rejeitam a aproximação com o MDB.
A movimentação de Caiado mira o vácuo deixado por Bolsonaro na disputa presidencial, já que o ex-presidente está inelegível até 2030. O governador goiano tenta se projetar como alternativa da direita, mas enfrenta concorrência de outros nomes, como Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo e considerado herdeiro político de Bolsonaro. Outros potenciais candidatos incluem Romeu Zema (Novo), do MG, e Eduardo Leite (PSD), do RS. Há quem acredite que Bolsonaro ainda poderá apoiar sua esposa Michelle ou o deputado Eduardo Bolsonaro em 2026.
Internamente, o PL de Goiás vive uma crise intensa. O apoio à candidatura de Vilela, defendido por figuras como o ex-deputado Major Vitor Hugo, divide a legenda. Vitor Hugo, que liderou o governo Bolsonaro na Câmara, tem evitado algumas agendas ao lado do ex-presidente. O gesto foi interpretado como um sinal da cisão com o grupo de Gayer, que defende candidatura própria com Wilder Morais.
Além da inelegibilidade, Bolsonaro enfrenta um processo no Supremo Tribunal Federal (STF), onde é réu sob acusação de chefiar uma organização criminosa que tentou um golpe de Estado para mantê-lo no poder após a derrota nas eleições de 2022. Apesar das limitações jurídicas, o ex-presidente segue ativo nas articulações e mobilizações de sua base política e seus aliados sustentam o discurso de sua pré-candidatura como único plano para disputa presidencial de 2026.
