Bastou um semestre para o presidente da Câmara de Aparecida de Goiânia, Gilsão Meu Povo (MDB), cair vertiginosamente no conceito dos demais vereadores, que já não escondem, nos bastidores, insatisfação com o trabalho dele à frente da Mesa Diretora. As críticas recaem principalmente sobre a postura considerada demasiadamente alinhada ao Poder Executivo municipal. Por vezes, ele é confundido como líder do prefeito e não como comandante de um poder independente.
Gilsão, que está no quarto mandato de vereador, parece que não entendeu que, desde janeiro, é presidente de um poder que tem como principal missão fiscalizar o Executivo. Parece agir como feirante, sua origem profissional, e não como líder dos 25 vereadores, legítimos representantes e defensores dos direitos de todos os cerca de 500 mil habitantes da cidade.
O resultado é que, em poucos meses de gestão, a falta de habilidade política do presente para equilibrar os interesses do Legislativo com as demandas do executivo tem gerado ruídos e um ambiente de tensão permanente. Com isso, não tem conseguido unificar os parlamentares em torno de uma agenda comum.
Entre os pares, há quem veja Gilsão mais como um defensor dos interesses do prefeito do que como um articulador das pautas do Legislativo. Essa postura dele, afirmam, fica claro quando ele faz declarações antecipadas sobre proposituras do Executivo, sempre em tom subserviente, antes mesmo de apreciação ou discussão com os demais vereadores.
Se não bastasse, as dificuldades de relacionamento se estendem à imprensa local, frequentemente desvalorizada ou ignorada pelo presidente, o que compromete sua imagem pública e amplia o campo de críticas. Soma-se a isso a insatisfação crescente com a não implementação das emendas impositivas – mecanismo já adotado em cidades como Goiânia e Anápolis –, que garantiria mais autonomia aos vereadores e fortaleceria o papel fiscalizador da Câmara.
Nesse contexto, a possibilidade de reeleição de Gilsão Meu Povo para a presidência da Câmara parece cada vez mais remota. Com um cenário de disputas internas se delineando, alguns nomes já se movimentam com objetivo de ocupar a presidência do Legislativo municipal, que tem eleição a cada dois anos. Entre esses nomes, despontam os vereadores Isaac Martins, Roberto Chaveiro, Camila Rosa, Tatá Teixeira e o ex-presidente André Fortaleza – que articula nos bastidores para retomar o comando da Casa.
Se quiser manter alguma viabilidade política, Gilsão terá que rever urgentemente sua postura, adotar uma liderança mais conciliadora, respeitar o papel da imprensa local e dialogar de forma mais estratégica com seus pares. Caso contrário, tende a ser apenas mais um nome no histórico de presidências breves e contestadas da Câmara de Aparecida.
