Após audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região (TRT-GO), os motoristas de ônibus de Goiânia e Região Metropolitana decidiram cancelar a greve prevista para começar nesta terça-feira (1º/7). As empresas do transporte coletivo aceitaram reajuste salarial de 6,5%, além de um aumento de 7% no ticket alimentação, com pagamento em parcela única em setembro. O acordo prevê ainda pagamento retroativo à data-base em três parcelas a partir de julho.
Outras conquistas obtidas na negociação incluem cesta natalina para profissionais demitidos entre 15 de outubro e 15 de dezembro, entrega de dois uniformes por ano, além da ampliação da cláusula de estabilidade pré-aposentadoria. A conciliação foi mediada pelo procurador do trabalho Alpiniano do Prado Lopes, que ressaltou a importância de evitar uma greve em um serviço essencial. A audiência foi conduzida pela desembargadora Iara Rios.
Segundo a desembargadora, o acordo só foi possível porque ambas as partes cederam. “Ambas as partes fizeram concessões para chegarmos a um bom acordo, e com isso ganha a sociedade, com a conscientização dos transtornos que uma greve causa aos usuários do transporte público”, afirmou Iara. O procurador Alpiniano também destacou a responsabilidade social de evitar a paralisação.
O presidente do Sindcoletivo, Carlos Alberto, disse que o reajuste ficou abaixo do esperado, mas reconheceu a importância do entendimento para garantir a continuidade do serviço. “Tivemos perdas salariais nos últimos anos e esperávamos mais, mas sabemos que nossa categoria é essencial para a sociedade”, declarou. Ele afirmou que as negociações começaram em dezembro e seguirão firmes nos próximos anos.
Adriano Oliveira, presidente do Sindicato das Empresas de Transporte (SET), avaliou positivamente o resultado, destacando que é o terceiro ano seguido com aumento salarial. “A proposta acompanha a inflação e representa ganho real para os trabalhadores. Seria ruim uma paralisação em um momento em que o transporte está em transformação”, concluiu. O acordo também prevê contribuição assistencial de 3% para o sindicato, com direito de oposição garantido aos trabalhadores.
