O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (UB), ressaltou, nesta quarta-feira (24/9), que o controle do sistema penitenciário foi decisivo para a retomada da segurança em Goiás. A afirmação foi feita durante visita ao Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, que recebeu uma comitiva de deputados federais de sete estados, em agenda que antecedeu o debate da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 18/2025 sobre segurança pública.
Caiado pontuou de forma factual que o controle do Estado nas unidades prisionais é fundamental para garantir a segurança da população:
“Se o sistema penitenciário não estiver 100% sob controle, o crime não poupa os cidadãos. Em Goiás, mostramos que é possível aliar disciplina, hierarquia e ressocialização”, afirmou o governador.
Os parlamentares presentes na comitiva conheceram setores de trabalho do presídio, como marcenaria e galpões de costura, além das salas de ensino formal e profissionalizante. O modelo goiano oferta cursos e atividades laborais a milhares de reeducandos, com o objetivo de reduzir reincidência criminal.
De acordo com o diretor-geral de Administração Penitenciária, Josimar Pires, presos de diferentes origens dividem os blocos de trabalho, mas todos sob a condição de se dedicarem à produção:
“Aqui, a regra é clara: quem está nessa ala, trabalha”, explicou.
Entre 2019 e 2024, o Governo de Goiás destinou mais de R$ 350 milhões para reformar e modernizar unidades, adquirir viaturas e equipamentos e ampliar a atuação da Polícia Penal. Como resultado, o Estado não registra rebeliões há cinco anos, reduziu em 99% a entrada de celulares nos presídios e zerou apreensões de armas de fogo desde 2023.
O encontro também marcou a abertura de seminário na Assembleia Legislativa para discutir a PEC da Segurança Pública. Caiado defendeu que o país reconheça facções criminosas como organizações terroristas e permita maior acesso dos estados a informações financeiras do COAF:

“Essa é uma decisão estratégica para enfrentar quem hoje controla parte do território nacional”, disse o governador.
Deputados presentes classificaram Goiás como referência nacional: “Não existe enfrentamento ao crime sem controle do sistema prisional. O que vimos aqui precisa ser expandido para o Brasil inteiro”, afirmou a deputada federal Delegada Ione Moreira (MG).
De acordo com o Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen), o Brasil possui uma das maiores populações carcerárias do mundo, com mais de 830 mil presos, em um sistema marcado por superlotação e influência de facções.

Nesse cenário, especialistas apontam que a experiência de Goiás, ao unir disciplina, oportunidades de trabalho e investimentos consistentes em segurança, pode servir como referência para outros estados que enfrentam dificuldades em manter o controle efetivo de seus presídios.
