Hoje é 7 de março de 2026 08:12

CEI cogita exigir da Limpa Gyn devolução de valores ao município

Após indícios de divergência entre informações do consórcio e prefeitura, comissão quer confrontar dados sobre pesagem, rotas e entrega de recicláveis
Na reunião desta terça-feira, CEI aprovou pedidos de informações sobre registros de GPS da movimentação dos caminhões e fotografias que comprovem a entrega de materiais às cooperativas de reciclagem // Foto: Reprodução

Os vereadores que compõem a Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara de Goiânia que investiga o contrato da prefeitura com o Consórcio Limpa Gyn levantaram, nesta terça-feira (4/11), a possibilidade de que o grupo empresarial tenha que devolver dinheiro aos cofres públicos. A avaliação surgiu a partir do avanço das análises de documentos já recebidos e de informações colhidas em depoimentos anteriores.

Durante a reunião da comissão, dedicada exclusivamente à leitura e à aprovação de requerimentos, os parlamentares aprovaram sete pedidos de informações direcionados ao consórcio e à prefeitura. Entre os dados solicitados, estão relatórios de pesagem dos resíduos coletados; registros de GPS da movimentação dos caminhões; e fotografias que comprovem a entrega de materiais às cooperativas de reciclagem.

O próximo passo será o confronto detalhado entre os números apresentados pelo consórcio e aqueles mantidos pela Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra). O objetivo é verificar se o volume de resíduos informado corresponde ao que foi efetivamente coletado e entregue.

Willian Veloso, relator da CEI: “Não estamos aqui para apontar o dedo, mas para contribuir com a gestão pública”

O presidente da comissão, Welton Lemos (Solidariedade), informou que será encaminhado ofício ao titular da Seinfra, Francisco Lacerda, com notificação para adoção de medidas urgentes. Entre elas, a regularização imediata do uso de balanças certificadas para pesagem; a revisão das medições realizadas; e a apresentação, em até cinco dias, de cronograma detalhando ações para sanar problemas no cumprimento contratual.

“Queremos revisão da Seinfra, para saber se o que foi pago ao consórcio corresponde efetivamente ao que foi coletado. Estamos em uma fase de confrontação de dados e de informações”, declarou o vereador.

O relator, Willian Veloso (PL), reforçou que o relatório final do colegiado será estruturado com caráter orientativo e propositivo, podendo incluir recomendações mais rígidas, caso irregularidades sejam confirmadas.

“Não estamos trabalhando para perseguir ninguém; não estamos aqui para apontar o dedo, mas para contribuir com a gestão pública. Queremos construir um relatório que contemple o que a sociedade espera de nós”, enfatizou.

Falta de pesagem e devolução de recursos

Autor de quatro dos requerimentos aprovados, Cabo Senna (PRD) chamou a atenção para falhas identificadas, até o momento, na fiscalização dos serviços de coleta.

“A medição da entrega de recicláveis às cooperativas fica à mercê de qualquer um registrar o volume como alto, médio ou baixo, sem correspondência obrigatória com fotos ou com pesagens”, argumentou.

“Se ficar comprovado que o ‘olhômetro’ não substitui a pesagem correta, o mais justo é a devolução do dinheiro da população”, acrescentou o parlamentar. Além dele, como membro da CEI, também participaram da reunião os vereadores Juarez Lopes (PDT) e Fabrício Rosa (PT).

Investigação – A Comissão Especial de Inquérito foi instalada pela Câmara de Goiânia, em agosto, para investigar a execução do contrato firmado entre o município e o Consórcio Limpa Gyn, responsável pela limpeza urbana na capital. O colegiado apura possíveis falhas na fiscalização do serviço, na medição dos resíduos coletados e no repasse de materiais recicláveis a cooperativas.

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