A Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) encerrou o ano de 2025 com 5.712 servidores ocupando cargos comissionados, o maior número já registrado na Casa, segundo dados do Portal da Transparência. O total representa aumento de 65% em relação a dezembro de 2022 e coincide com elevações no teto de assessores por gabinete que ampliaram a estrutura dos parlamentares.
O salto nas nomeações ocorreu ao longo de 2025, com criação de novos postos e ajustes no teto de assessores — que passou de 58 para 95 e, em seguida, para 120 por gabinete — e acabou por aumentar a folha. Em 12 meses, a despesa mensal com pessoal subiu R$ 3,7 milhões, de R$ 36,6 milhões em janeiro para R$ 40,3 milhões em dezembro de 2025.
A relação entre cargos de confiança e servidores efetivos tornou-se especialmente desigual: há hoje cerca de 14 comissionados para cada concursado, e o total anual de manutenção da Casa chega a R$ 235,2 milhões, segundo os dados disponíveis.
“Se não afeta o índice, não há problema”, disse o presidente da Alego, justificando a ampliação das vagas e a opção por maior número de cargos com remunerações individuais menores, conforme alegou a Mesa Diretora.

A expansão dos comissionados acelerou a partir de 2023, com a gestão do deputado Bruno Peixoto (União Brasil) na presidência da Casa, e ganhou novo impulso em 2025 com resoluções e emendas que criaram cargos na administração e elevaram as cotas dos gabinetes. Em outubro, uma resolução que tratava de intervalo para amamentação recebeu emenda que ampliou a criação de vagas, elevando o número de postos destinados à administração.
A soma das mudanças — teto mais alto por gabinete, criação de cargos e equiparação de verbas indenizatórias ao padrão federal — tem sido apontada como responsável pelo aumento da folha e pelo crescimento do quadro de assessorias parlamentares. A Alego também elevou a cota de divulgação e substituiu alugueis por compra de veículos e contratação de transportes, ampliando os custos fixos.
“Os gastos estão rigorosamente compatíveis com o orçamento aprovado, com os créditos duodecimais (valor em dinheiro repassado do Orçamento do estado ao Legislativo) e com a legislação vigente”, afirmou a direção da Casa, em nota, sobre o equilíbrio fiscal alegado.
Posicionamento da Alego e críticas
A Alego defende que as nomeações atendem à necessidade de suporte técnico e administrativo para o trabalho parlamentar e para o atendimento nas bases do interior. A Mesa Diretora afirma que o índice de comprometimento da receita corrente líquida com pessoal estava em 1,28% do Orçamento do Estado no segundo quadrimestre de 2025, abaixo do teto da Lei de Responsabilidade Fiscal (que é de 3% incluindo o Tribunal de Contas do Estado).
Críticos, no entanto, apontam que a ampliação concentra mais poder administrativo na estrutura parlamentar e reduz a proporção de servidores concursados, o que, para especialistas, compromete eficiência e transparência no retorno ao cidadão. Relatórios do Tribunal de Contas do Estado acompanham a evolução mensal do quadro e o Ministério Público recebeu denúncia sobre excesso de cargos em 2024, processo que segue em apuração.
“Se não afeta o índice, não há problema”, repetiu Bruno Peixoto em defesa das mudanças, acrescentando que a autonomia administrativa dos parlamentares permite optar entre maior número de cargos com remuneração menor ou número reduzido com vencimentos individuais maiores.
