O vereador Francisco Nunes de Moraes, o Cabo Moraes (PP), assumiu nesta segunda-feira (9/2) a presidência interina da Câmara Municipal de Rio Verde, após a renúncia de Idelson Mendes (PRD), oficializada em sessão extraordinária. O mandato provisório terá duração máxima de 30 dias, prazo previsto pelo regimento interno para a realização de nova eleição da Mesa Diretora.
O presidente interino afirmou que a prioridade será manter a normalidade dos trabalhos legislativos e dar transparência à gestão da Casa.
“Não estou aqui para julgar atos do ex-presidente, mas para fazer o trabalho com transparência. Então todos os contratos, desde que estejam corretos, todos serão cumpridos”, garantiu.
“Se houver alguma dúvida, a gente vai chamar a pessoa responsável e vamos dialogar. A gente não vai fazer caça às bruxas, a gente está assumindo, a princípio provisoriamente, para que haja transparência para que a Câmara possa continuar prestando serviço de relevância à nossa sociedade”, explicou Moraes.
A mudança no comando ocorreu após o afastamento e prisão de Idelson Mendes na quarta fase da Operação Regra Três, conduzida pelo Ministério Público de Goiás, seguida de renúncia do então presidente. Moraes disse que o foco é “organizar a casa” e garantir que todos os atos da Câmara sejam conduzidos com transparência, assegurando a continuidade do trabalho parlamentar enquanto o processo eleitoral interno é definido.

O novo presidente interino destacou que não cabe a ele “apontar o dedo” sobre o caso e lembrou que as apurações estão em andamento pelas instituições competentes.
“Há uma investigação em curso, não há condenação. O vereador Idelson Mendes está sendo investigado por atos relativos ao concurso público, mas não há nenhuma condenação”, reforçou.
Moraes informou ainda que a Comissão de Ética acompanha o caso e que foi adotada medida administrativa para levantar contratos e regularizar procedimentos.
“Contratos, nós ainda não tomamos pé da situação de todos os contratos”, afirmou, e acrescentou que já solicitou relatórios ao setor de contabilidade, ao controle interno e à nova tesoureira nomeada pela Câmara. Segundo ele, alguns contratos estão suspensos por determinação do Ministério Público, que apontou possíveis falhas de lisura e transparência.
1ª sessão ordinária abre atividades legislativas
Na noite de segunda-feira, já sob o comando de Cabo Moraes, foi realizada a primeira sessão ordinária de 2026, marcando a retomada dos trabalhos em plenário. A sessão abriu com a leitura da ata da reunião extraordinária da manhã, quando foi formalizada a assunção da presidência provisória.
Durante a sessão, foi lida a Medida Cautelar nº 005/2026, do Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás (TCM/GO), que determina a suspensão dos concursos públicos nº 01 e nº 02 de 2025 até decisão posterior, sob pena de multa.

“Significa que o concurso será suspenso através de uma decisão do TCM em um agravo que o Ministério Público de Rio Verde entrou. Notícia boa é que ninguém vai perder o dinheiro, porque agora o dinheiro está numa conta da Câmara Municipal”, disse Moraes, que afirmou ter conversado com o reitor da UniRV, instituição responsável pelo certame, e adiantou: “Com isso, vamos dar início a uma nova contratação”.
Também foram apresentados 18 projetos de lei encaminhados pelo Executivo Municipal, que seguirão para análise nas comissões permanentes antes de votação em plenário. Ao encerrar os trabalhos, o presidente convidou a população para a sessão itinerante marcada para as 19h desta terça-feira (10/2), na Escola Municipal Antônio Vieira de Moraes, no Residencial Gameleira 1.
A Câmara informou que as atividades legislativas prosseguem normalmente enquanto a presidência interina conduz a organização administrativa e prepara o pleito para eleger a Mesa Diretora dentro do prazo regimental.
