Hoje é 5 de março de 2026 22:10

Hezbollah ataca Israel e conflito escala no Oriente Médio

Grupo no Líbano diz que responde aos ataques israelenses e ao assassinato do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei
Estruturas governamentais atingidas no centro de Teerã após bombardeio israelense com dezenas de projéteis contra a capital // Fotos: Reprodução

O cenário no Oriente Médio voltou a se deteriorar após o Hezbollah retomar, nesta segunda-feira (2/3), ataques contra o território israelense, ampliando significativamente o risco de escalada de conflitos. O grupo libanês lançou mísseis e drones, rompendo o cessar-fogo que estava em vigor desde o final do ano passado e ampliando a tensão na fronteira norte de Israel.

A organização afirmou que a ofensiva é uma resposta direta ao assassinato do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, ocorrido no último sábado durante ataques dos Estados Unidos e Israel. O Hezbollah também declarou que reagem às sucessivas incursões aéreas e terrestres realizadas por Israel no sul do Líbano mesmo após a trégua firmada em novembro.

O grupo xiita informou ter mirado sistemas de defesa antimísseis na região de Haifa e classificou a operação como ato de autodefesa legítima. Segundo a organização, as ações buscam forçar a retirada de tropas estrangeiras de áreas consideradas ocupadas no sul libanês, elevando o risco de confrontos diretos em larga escala.

Prédio colapsa no Sul de Beirute após bombardeios israelenses em resposta aos ataques do Hezbollah

O presidente do Líbano criticou a iniciativa e alertou para as consequências diplomáticas e militares da escalada.

“Embora condenemos os ataques israelenses em território libanês, alertamos que a utilização contínua do Líbano como plataforma para guerras por procuração que nada têm a ver conosco exporá mais uma vez o nosso país a perigos”, afirmou em comunicado oficial.

Israel respondeu com bombardeios em Beirute e em áreas do sul do Líbano, prometendo ampliar a intensidade das operações. O governo libanês anunciou medidas para restringir atividades militares do grupo, decisão que gerou tensões internas. Milhares de famílias deixaram suas casas nas zonas de conflito, aumentando o número de deslocados e a pressão sobre abrigos improvisados.

Israel faz novos ataques aéreos contra Teerã

Paralelamente aos confrontos na fronteira com o Líbano, Israel informou ter realizado ataques aéreos contra prédios governamentais e estruturas estratégicas em Teerã na noite de segunda-feira (2/3). A ofensiva atingiu, segundo o comando militar israelense, áreas ligadas ao gabinete da presidência e ao Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã.

“Ontem à noite, a Força Aérea lançou um ataque contra edifícios governamentais e de segurança dentro do complexo de comando do regime terrorista iraniano, no coração de Teerã”, informou o comando militar em nota oficial.

O Exército israelense afirmou que aproximadamente 600 alvos foram atingidos em diferentes regiões do Irã, com maior concentração na capital. Províncias como Curdistão, na fronteira oeste, e Hormozgan, no sul do país, também teriam sido bombardeadas.

Entre os locais atingidos estão centros de treinamento militar e estruturas logísticas consideradas estratégicas. No sul, mísseis teriam alcançado o cais Shahid Bahonar, em Bandar Abbas, afetando atividades portuárias em área próxima ao Estreito de Ormuz, rota vital para o comércio global de petróleo.

Israel justificou o volume de ataques como necessário para enfraquecer a capacidade de comando e segurança do regime iraniano, a quem atribui coordenação de ações hostis contra seu território.

Entenda o conflito

A nova escalada ocorre após operações coordenadas entre Estados Unidos e Israel contra a cúpula do regime iraniano, que resultaram na morte do aiatolá Ali Khamenei e de outras autoridades de alto escalão. O episódio provocou uma resposta imediata de Teerã, que prometeu vingança e iniciou disparos de mísseis contra Israel e contra instalações militares norte-americanas na região.

Os ataques atingiram pontos estratégicos no Golfo Pérsico, incluindo portos e aeroportos ligados a países aliados de Washington. A Guarda Revolucionária do Irã declarou ter obtido sucesso na destruição de uma base dos Estados Unidos situada no Bahrein.

Com a vacância de poder após a morte de Khamenei, um conselho provisório assumiu a administração do país, enquanto autoridades iranianas trabalham na definição do novo líder supremo. O ministro das Relações Exteriores informou que a escolha deve ocorrer em prazo curto, diante do cenário de guerra aberta.

Nos Estados Unidos, o presidente afirmou estar aberto a negociações, mas não descartou a ampliação das operações militares por semanas e a possibilidade de envio de tropas terrestres, caso considere necessário.

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