A Polícia Civil de Goiás deflagrou nesta terça-feira (10/3) a Operação Núcleo Paralelo para investigar um esquema de corrupção envolvendo a compra e aplicação de tintas inseticidas pela prefeitura de Goiânia. A ação tem como foco possíveis irregularidades contratuais e licitatórias que resultaram em um prejuízo estimado de R$ 2,7 milhões aos cofres do município.
O processo investigado diz respeito a um contrato de R$ 4,4 milhões firmado em 2024 entre a então Secretaria de Desenvolvimento Humano e Social e uma fornecedora do produto. Ao todo, a justiça autorizou o cumprimento de 13 mandados judiciais e o bloqueio de bens dos envolvidos para garantir o ressarcimento do dano financeiro identificado.
As diligências ocorreram em cidades de Goiás e no Distrito Federal para colher provas sobre crimes de associação criminosa, fraude em contrato público e modificação irregular de acordos administrativos. A investigação apura a aquisição de 10 mil litros de tinta, distribuídos em 2.500 latas, sob suspeita de graves falhas na execução do serviço.

Segundo os levantamentos iniciados em 2025 pela Delegacia Estadual de Combate à Corrupção, foi criado um grupo informal de compras dentro da própria secretaria municipal para agilizar as contratações de forma suspeita. Os investigadores encontraram indícios de que o produto entregue estava em desacordo com as especificações previstas no edital.
Além disso, a polícia identificou o fornecimento de material com data de validade próxima ao vencimento e ausência de controle rigoroso no almoxarifado da pasta. Foram constatadas ainda falhas graves na fiscalização e divergências significativas entre a metragem contratada para a aplicação da tinta e o trabalho que foi efetivamente realizado.
Outro ponto alarmante da investigação revela que o inseticida teria sido aplicado em imóveis desativados ou sem qualquer critério técnico definido pela administração. Há também inconsistências evidentes entre o volume total de tinta que foi adquirido pela prefeitura e o que realmente foi aplicado ou que ainda consta em estoque.

No balanço da operação, os agentes cumpriram dois mandados de prisão temporária em Brasília e outras 11 ordens de busca e apreensão em Goiânia e Valparaíso de Goiás. A Polícia Civil do Distrito Federal prestou apoio tático para o cumprimento das medidas judiciais em sua jurisdição.
Para aprofundar a apuração, a Justiça determinou a quebra dos sigilos telefônico, telemático, bancário e fiscal de todos os suspeitos. Também foi ordenado o sequestro de valores e bens até o limite do prejuízo apurado para assegurar a recuperação do dinheiro público desviado.
Os nomes dos envolvidos não foram divulgados.
Prefeitura colabora com investigações
A prefeitura de Goiânia informou, por meio de nota oficial, que está colaborando integralmente com as investigações da Polícia Civil e fornecendo todos os documentos solicitados pela Delegacia Estadual de Combate à Corrupção. A administração municipal destacou que o contrato sob suspeita foi firmado em gestões anteriores e que a atual gestão suspendeu preventivamente novos pagamentos e execução do acordo assim que identificou inconsistências administrativas.
O comunicado reforça o compromisso da prefeitura com a transparência e o zelo pelo erário, ressaltando que aguarda a conclusão do inquérito policial para tomar as medidas disciplinares cabíveis contra eventuais servidores envolvidos. Além disso, a Secretaria Municipal de Saúde pontuou que os serviços investigados não possuem relação com os cronogramas técnicos vigentes, reiterando que o foco atual é garantir a correta aplicação dos recursos públicos no combate a endemias.
