O desempenho da vereadora por Goiânia Aava Santiago (PSB) nas Eleições 2026 escancara, mais uma vez, o paradoxo do sistema eleitoral proporcional brasileiro. Com 123.311 votos, o equivalente a 3,42% dos válidos, ela alcançou a sétima maior marca individual no estado, superando com folga o desempenho de diversos candidatos que acabaram eleitos. Ainda assim, ela ficou fora da Câmara dos Deputados.
A análise fria dos números revela uma disparidade estrutural: a vereadora obteve quase três vezes mais votos que Fábio Sousa (PL), último colocado entre os eleitos, que garantiu vaga com 43.643 votos. Enquanto o PL converteu sua capilaridade partidária em quatro cadeiras, o PSB somou 160.038 votos — patamar aquém do quociente eleitoral fixado em 212.220 e insuficiente para transpor a cláusula das sobras.
Especialistas em ciência política apontam que casos como o de Aava ilustram a vulnerabilidade de candidaturas altamente competitivas desacompanhadas de um partido forte. O voto individual perde eficácia prática se a legenda falha em atingir o quociente mínimo, evidenciando que, no modelo proporcional, a saúde coletiva da sigla frequentemente se sobrepõe ao capital político isolado.
Professor Alcides perde mandato e PSDB zera bancada federal em Goiás
Com 61.685 votos, o deputado federal Professor Alcides (PSDB) obteve uma votação superior à de vários concorrentes que conseguiram se eleger, mas acabou ficando de fora da Câmara dos Deputados. Recém-chegado à legenda, o parlamentar registrou uma queda de mais de 28 mil votos em relação a 2022 e amargou sua segunda derrota consecutiva, após o revés na disputa pela Prefeitura de Aparecida de Goiânia em 2024, sendo tragado pelo naufrágio eleitoral da chapa PSDB Cidadania no estado.

Sob uma perspectiva analítica, o caso de Alcides reflete a mesma vulnerabilidade enfrentada por outras fortes lideranças no sistema proporcional: o capital político individual perde eficácia prática quando o partido falha em atingir o quociente necessário. A chapa da federação PSDB-Cidadania minguou ao longo da campanha, penalizada por baixas estratégicas de nomes competitivos, pressões institucionais e o ônus político acumulado pela sigla.
O reflexo nas urnas culminou em um marco histórico negativo: com apenas 130.186 votos somados pelo grupo, o PSDB goiano fica, pela primeira vez desde 1994, sem nenhum representante na bancada federal a partir de 2027. O colapso sela a reconfiguração definitiva do mapa de forças partidárias em Goiás.

