O adolescente de 17 anos que atropelou o casal Fábio Alves Barbosa e Neifa Freitas de Farias Alves foi apreendido pela Polícia Civil nesta segunda-feira (24/8), em sua residência em Goiânia. Ele foi encaminhado à Delegacia de Polícia de Apuração de Atos Infracionais (Depai).
O acidente ocorreu por volta das 6h52 de domingo (16/8), no cruzamento da Avenida Independência com a Avenida Perimetral, no Setor Campinas, quando Fábio levava a esposa de moto ao trabalho. Imagens de segurança registraram o momento em que a caminhonete conduzida pelo jovem avança o sinal vermelho e atinge as vítimas.
O teste de bafômetro apontou 0,52 mg de álcool por litro de ar expelido no motorista. Inicialmente autuado por ato infracional análogo a lesão corporal na direção de veículo e liberado, o adolescente teve a apuração reclassificada para ato infracional análogo a homicídio no trânsito após a confirmação da morte de Neifa.
As duas vítimas foram socorridas em estado grave e internadas na UTI do Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol). Neifa, que atuava como cuidadora, não resistiu aos ferimentos e faleceu na quinta-feira (20/8). Fábio segue internado em estado grave na unidade de saúde.
A família das vítimas cobra justiça e responsabilização rigorosa pelo caso. Emocionada, a mãe de Fábio relatou o impacto do atropelamento na rotina da família:
“Meu filho é trabalhador. Só vive no trabalho. Não tem nem momento de lazer. É só trabalhar. Está doendo demais. Muito mesmo”, disse Vilma Alves Barbosa.

Em depoimento, o rapaz que dirigia a caminhonete admitiu ter ingerido bebida alcoólica e pegado a chave do veículo escondido dos pais. A defesa alegou que ele faz tratamento para ansiedade e TDAH e teria sofrido um surto. Como se trata de menor de idade, a legislação prevê internação por no máximo três anos.
Polícia apura remoção de veículos e perícia em caminhonete
A investigação da Polícia Civil abrange também a alteração da cena do acidente antes da realização do trabalho pericial. Segundo o registro da ocorrência, tanto a caminhonete quanto a motocicleta foram retiradas do cruzamento logo após a colisão, o que inviabilizou a perícia inicial no local.
O proprietário do veículo, um sargento da Polícia Militar da reserva, levou o automóvel a uma oficina e solicitou reparos com urgência. Ao tomar conhecimento do fato, a Depai determinou a paralisação imediata dos serviços para garantir a realização da perícia técnica.
A defesa da família do adolescente afirmou que os pais haviam pegado a caminhonete emprestada para carregar malas de trabalho na feira e que o jovem pegou o veículo sem autorização enquanto eles dormiam.
A Polícia Civil analisa as circunstâncias gerais do caso, incluindo a embriaguez ao volante, o avanço do sinal vermelho e a interferência na cena do atropelamento.

