Hoje é 19 de outubro de 2026 05:09

Anápolis inicia método Wolbachia contra dengue em 45 bairros

Estratégia prevê 5.168 dispositivos na primeira semana e alcance estimado de 206 mil moradores; agentes farão monitoramento durante seis meses
A mobilização ocorreu na base de apoio do método, na Vila União, com participação de agentes de combate às endemias e equipes de apoio // Foto: NG

Anápolis iniciou nesta terça-feira (13/10) a instalação de dispositivos do método Wolbachia, estratégia de controle da dengue que utiliza uma bactéria para reduzir a capacidade de transmissão de doenças pelo mosquito Aedes aegypti. A operação prevê a instalação de 5.168 dispositivos na primeira semana, distribuídos em 45 bairros selecionados com base no histórico de notificações de dengue. A área contemplada reúne aproximadamente 206 mil habitantes.

A mobilização ocorreu na base de apoio do método, na Vila União, com participação de agentes de combate às endemias e equipes de apoio. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o trabalho foi preparado ao longo dos últimos meses e terá monitoramento contínuo para acompanhar a implantação da tecnologia.

O diretor de Vigilância e Saúde de Anápolis, Daniel Soares Barbosa, explicou que os dispositivos contêm ovos de mosquitos com a bactéria Wolbachia. Após a eclosão, esses mosquitos se reproduzem com os que já estão no ambiente, transmitindo a bactéria às gerações seguintes.

A presença da Wolbachia reduz a capacidade do Aedes aegypti de transmitir dengue, zika e chikungunya. A estratégia não consiste em eliminar todos os mosquitos, mas em ampliar a presença da bactéria na população local.

Diretor de vigilância em Anápolis, Daniel Soares Barbosa // Foto: NG

“Esses ovos estarão sendo colocados e depois vão eclodir. Esse mosquito vai estar no ambiente, cruzando com o mosquito já existente, e os filhotes nascerão com a bactéria Wolbachia”, explicou Daniel.

Dispositivos serão monitorados por seis meses

O gerente de Controle de Vetores de Anápolis, Rafael Teixeira, informou que os 45 bairros foram definidos a partir da análise de notificações registradas ao longo de 12 anos. As áreas com maior concentração histórica de casos foram priorizadas para receber os dispositivos.

A operação prevê de 42 a 60 agentes em campo, organizados em rotas de trabalho. Cada rota terá cerca de 38 pontos de instalação. Os recipientes, conhecidos como dispositivos de liberação de ovos, são pequenos baldes verdes com aproximadamente 500 mililitros de água e cápsulas contendo cerca de 300 ovos.

A instalação será feita de forma gradual. De acordo com Rafael, na primeira semana será colocado um dispositivo em cada ponto previsto; na semana seguinte, novos recipientes serão instalados em outros pontos da rota. Cada unidade permanecerá no local por 14 dias.

Rafael Teixeira, gerente de controle de vetores de Anápolis // Foto: NG

“O monitoramento ficará a cargo das equipes municipais, que verificarão se os recipientes continuam nos locais definidos, acompanharão o desenvolvimento dos mosquitos e coletarão material para análise”, explicou Rafael Teixeira.

A previsão inicial é manter o trabalho durante seis meses, com possibilidade de novas liberações caso a avaliação técnica indique necessidade.

De acordo com a Prefeitura, experiências anteriores em outros países e em municípios brasileiros são referência para a implantação em Anápolis. Em Niterói, no Rio de Janeiro, o método foi associado a uma redução superior a 80% dos casos de dengue, segundo o diretor Daniel. Esse resultado, porém, não representa uma garantia de redução na mesma proporção em Anápolis, onde os efeitos dependerão da implantação e do acompanhamento local.

Prefeitura pede que população preserve os recipientes

As autoridades ressaltam que a colaboração dos moradores é importante para o funcionamento da estratégia. A orientação é não retirar, deslocar, danificar ou abrir os dispositivos instalados. Caso algum recipiente seja encontrado fora do lugar ou esteja danificado, a recomendação é comunicar a Prefeitura para que as equipes possam verificar a situação.

Rafael Teixeira também alertou que o método não substitui os cuidados tradicionais de prevenção. A eliminação de água parada continua necessária, especialmente durante o período chuvoso, quando recipientes, calhas obstruídas, caixas-d’água destampadas e outros pontos de acúmulo podem favorecer a reprodução do mosquito.

A bactéria Wolbachia é utilizada para reduzir a capacidade de transmissão de dengue, zika e chikungunya, mas a manutenção dos cuidados ambientais segue essencial no controle do Aedes aegypti e de outros riscos relacionados à água acumulada.

Moradores relatam preocupação com água parada

Moradora de Anápolis há 33 anos, Wetina Sousa afirmou que ainda não conhecia o método, mas avaliou positivamente a iniciativa. Ela contou que já teve dengue duas vezes e relatou ter passado muito mal durante as infecções.

“Eu achei que é muito bom. Inclusive, eu dei dengue já duas vezes, passei muito, muito mal com a dengue”, afirmou.

Wetina também chamou a atenção para o acúmulo de água em áreas abertas próximas de onde mora. Segundo ela, alguns pontos ficam alagados após as chuvas, o que gera preocupação mesmo entre moradores que mantêm os cuidados dentro de casa.

O relato reforça um dos desafios do combate à dengue: além das medidas adotadas nas residências, é necessário identificar e acompanhar possíveis focos em espaços públicos e áreas externas.

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