Hoje é 5 de março de 2026 20:44

André Mendonça assume relatoria do caso Master no STF

Ele foi escolhido após reunião em que os ministros do STF tomaram ciência do relatório da PF que mostra menções a Toffoli no celular de Vorcaro
Ministro André Mendonça foi escolhido para ser o novo relator do processo em sorteio eletrônico realizado na noite desta sexta-feira // Fotos: Antonio Augusto/Gustavo Moreno/STF

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi designado, na noite desta quinta-feira (12/2), como novo relator do inquérito sobre as fraudes no Banco Master. A escolha ocorreu por meio eletrônico depois que o ministro Dias Toffoli pediu para deixar a relatoria, após a Polícia Federal comunicar ao presidente do STF, Edson Fachin, a existência de menções a Toffoli em mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro — informação que está sob segredo de Justiça.

A redistribuição do processo segue agora para Mendonça, que ficará responsável pelos próximos atos da investigação. O ministro já tem na sua relatoria outro inquérito de destaque, que apura descontos indevidos em benefícios do INSS, e a corte informou que a transferência foi feita a pedido de Toffoli.

A decisão foi tomada após reunião convocada por Fachin para dar ciência aos demais ministros do relatório da PF. Em tom institucional, o plenário registrou apoio ao ex-relator e afirmou não haver, até então, elementos que justifiquem suspeição ou impedimento do ministro Toffoli.

“Expressam, neste ato, apoio pessoal ao Exmo. Min. Dias Toffoli, respeitando a dignidade de Sua Excelência, bem como a inexistência de suspeição ou de impedimento”, diz a nota oficial divulgada pela Corte.

Durante a reunião, Toffoli pediu para permanecer na relatoria e apresentou argumentos nesse sentido. Contudo, diante da pressão pública em torno do caso, o ministro optou por afastar-se do comando do processo. A Polícia Federal, ao transmitir o conteúdo de suas apurações ao presidente do STF, motivou o pedido de Toffoli para que a presidência procedesse à livre redistribuição do feito.

Toffoli confirma que é sócio de empresa

Nas últimas semanas, matérias jornalísticas relataram que a PF encontrou indícios de irregularidades em fundo de investimento ligado ao Banco Master, que havia adquirido participação no resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR), propriedade de familiares do ministro. Em nota, o gabinete de Toffoli confirmou que ele integra o quadro societário de uma empresa familiar, a Maridt, e explicou a relação com o imóvel.

O comunicado do ministro afirma que a participação societária foi regular e que a Maridt vendeu sua parcela do resort em duas etapas — parte em 27 de setembro de 2021 e parte em 21 de fevereiro de 2025 —, valores estes já declarados à Receita Federal. O gabinete também assegurou que Toffoli não recebeu qualquer quantia de Daniel Vorcaro.

Toffoli era relator do inquérito que apura fraudes financeiras no Master, sobretudo na tentativa de venda da instituição ao banco BRB, do Governo do Distrito Federal

O texto acrescenta que, pela Lei Orgânica da Magistratura, é permitida a participação de magistrados em sociedades, desde que não exerçam atos de gestão como administradores.

O gabinete ressaltou ainda que o inquérito sobre o Master chegou ao gabinete de Toffoli em novembro do ano passado, quando a Maridt já não detinha participação no Tayayá. No esclarecimento final, o ministro afirmou que “jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro” e reiterou que não recebeu valores do banqueiro ou de seus familiares.

O caso seguirá sob supervisão do novo relator, com os próximos passos do inquérito sendo definidos por Mendonça. A Corte mantém o segredo de Justiça sobre os detalhes do material produzido pela Polícia Federal, e as diligências seguem em andamento. (Com informações da Agência Brasil)

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