A fila de espera por atendimento de fonoaudiologia em Bela Vista de Goiás caiu de mais de 200 para 29 pessoas entre abril e setembro de 2026. A redução ocorreu após a contratação de uma fonoaudióloga para atuar no Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), com atendimento três vezes por semana.
A ampliação da oferta busca reduzir uma demanda que vinha limitando o acesso da população ao acompanhamento especializado. Com o serviço disponibilizado pela rede pública, pacientes que antes precisavam recorrer a clínicas particulares passaram a contar com atendimento gratuito no município.
O serviço atende crianças, adultos e pessoas com diferentes condições do espectro autista e TDAH. As terapias são acompanhadas de orientações aos familiares, especialmente aos pais, para que os estímulos trabalhados durante as sessões também possam ser incorporados à rotina em casa.
A participação da família é considerada parte importante do acompanhamento, principalmente nos casos de crianças em fase de desenvolvimento da comunicação e da linguagem. A orientação permite que os responsáveis deem continuidade aos estímulos fora do ambiente clínico e acompanhem mais de perto a evolução do paciente.
A mudança na oferta também tem impacto direto sobre as famílias que enfrentavam dificuldades para manter o tratamento na rede particular. Além do custo das consultas e terapias, a disponibilidade limitada de profissionais especializados podia prolongar o período de espera.
Uma das famílias atendidas pelo NASF relata mudança na adaptação da criança ao tratamento. Segundo a mãe, o filho fazia acompanhamento particular desde o primeiro ano de vida, mas não havia conseguido se adaptar às sessões. Aos dois anos e sete meses, ele iniciou o atendimento no NASF e, de acordo com o relato da família, passou a apresentar melhor adaptação e evolução durante as sessões.

A experiência representa uma das situações acompanhadas pelo serviço e mostra a importância de considerar também a adaptação do paciente ao profissional e à abordagem utilizada. No caso das crianças, esse processo pode ser ainda mais relevante para a continuidade das terapias.
A oferta pelo NASF também permite que o município acompanhe diferentes perfis de pacientes, incluindo aqueles que necessitam de suporte relacionado à fala, linguagem e comunicação. O atendimento especializado pode contribuir para identificar necessidades específicas e orientar as famílias sobre os estímulos que podem ser realizados no cotidiano.
Fila de retorno também é acompanhada
A estratégia adotada pela equipe não se limita aos pacientes que aguardam o primeiro atendimento. Pessoas que recebem alta do acompanhamento contínuo, mas ainda necessitam de sessões pontuais, permanecem no acompanhamento da rede.
Para isso, a agenda é organizada de forma a garantir o retorno desses pacientes quando houver necessidade. A medida busca evitar que a redução da fila inicial seja acompanhada pela formação de uma nova espera para quem já passou pelo tratamento.
Segundo a previsão do município, a fila principal e as demandas de retorno deverão ser zeradas até o fim de 2026. Com a redução da demanda acumulada, a expectativa é ampliar a capacidade de receber novos pacientes e manter o atendimento de forma contínua.
A evolução registrada entre abril e setembro mostra o efeito da ampliação da oferta sobre uma demanda específica da saúde pública municipal. A redução de mais de 170 pessoas na fila em cinco meses também cria condições para que Bela Vista de Goiás passe a trabalhar não apenas na diminuição do estoque de pacientes, mas na manutenção do acesso ao serviço para novas demandas.

