Hoje é 7 de março de 2026 12:10

Caiado abre portas no Japão para investimentos em terras raras de Goiás

Em outra agenda, governador conheceu um projeto com tecnologia japonesa que visa produzir fertilizante ecológico em Mineiros, no Sudoeste goiano
Governador goiano e integrantes da missão participaram de reuniões em ministérios, onde apresentaram potencialidades do estado e discutiram novas parcerias // Fotos: Júnior Guimarães

O Japão manifestou interesse de incluir Goiás como alternativa estratégica para diversificar suas fontes de fornecimento de terras raras e reduzir a dependência da China nesse mercado. O interesse foi manifestado pelo ministro da Economia, Comércio e Indústria do Japão, Ogushi Masaki, durante reunião com o governador Ronaldo Caiado, na segunda-feira (14/7), em Tóquio, no primeiro dia da missão goiana ao país asiático.

“Dependemos da China, que pode adotar medidas e interromper a cadeia global de suprimentos a qualquer momento. Por isso, precisamos estabelecer novas fontes, e Goiás é rico em terras raras. Muitas empresas japonesas querem investir nessa área no estado. O governo pretende impulsionar esses investimentos”, afirmou Masaki.

Como desdobramento imediato, o ministro confirmou o envio de uma missão técnica ao território goiano na segunda quinzena de agosto. A comitiva será liderada por Yamaguchi Yuzu, chefe da divisão de Recursos Minerais, e reunirá representantes de empresas interessadas em parcerias com o estado.

“Será um imenso prazer recebê-los. Vou apresentar Goiás e nossas alternativas para que os investidores japoneses ampliem sua presença no estado”, afirmou Caiado

Além da riqueza mineral, Masaki elogiou a política estadual de qualificação profissional e o ambiente favorável aos negócios.

“Muitas empresas japonesas estão se desenvolvendo no seu território graças ao investimento em capacitação feito pelo Estado”, disse o ministro.

Em resposta, Caiado destacou as condições estruturais de Goiás e a abertura para acordos tecnológicos.

“Temos água, energia limpa e precisamos de tecnologia e investimento para fazermos a separação dos metais presentes nas terras raras. Esse é o nosso maior desafio, e o Japão tem o conhecimento necessário para superar essa etapa”, explicou.

Caiado durante encontro com a ministra dos Negócios Estrangeiros do Japão, Arfiya Eri

Goiás possui jazidas promissoras em regiões como Minaçu, Nova Roma e Iporá. Os chamados elementos de terras raras (ETRs) são 17 minerais críticos usados em tecnologias de ponta, como turbinas eólicas, veículos elétricos, baterias e equipamentos militares. Eles são essenciais para a transição energética global.

O Brasil detém a segunda maior reserva mundial de óxidos de terras raras, com 22?milhões de toneladas lavráveis, atrás apenas da China, e Goiás e Minas Gerais abrigam os projetos mais avançados no país. Embora detenha cerca de 50% das reservas globais, a China responde por mais de 90% da produção, enquanto a demanda internacional, de 120 a 130 mil toneladas anuais, movimenta entre US$ 3 e 5 bilhões e já foi usada como moeda de negociação em disputas tarifárias com os EUA.

Carne bovina – Ainda na segunda-feira, Caiado encontrou-se com a ministra dos Negócios Estrangeiros do Japão, Arfiya Eri, para discutir a abertura do mercado japonês à carne bovina de Goiás, reconhecido como livre de febre aftosa sem vacinação. Arfiya Eri elogiou a força goiana no agronegócio e prometeu intermediar junto ao Ministério da Agricultura japonês a habilitação dos frigoríficos do Estado.

Produção de fertilizante ecológico em Goiás

Já na terça-feira (15/7), o governador goiano conheceu um projeto com tecnologia japonesa que visa produzir fertilizante ecológico em Mineiros, no Sudoeste goiano. Os detalhes foram apresentados durante reunião no escritório da startup Tsubame BHB, na cidade de Yokohama, no segundo dia da missão oficial no Japão. A empresa espera investir mais de R$ 200 milhões para a implantação da unidade.

A iniciativa de trazer a tecnologia para o Brasil é fruto de uma parceria entre a Tsubame e a empresa Atvos, e consiste em produzir amônia aquosa verde a partir do bagaço da cana-de-açúcar – alternativa aos fertilizantes nitrogenados de base fóssil. Segundo a empresa, a ação “contribui para a promoção da descarbonização e da economia circular do Brasil, além de fortalecer a cadeia de suprimentos de fertilizantes nitrogenados – um setor no qual o Brasil atualmente depende de importações”.

“Esse projeto é um exemplo claro de como Goiás está se posicionando como referência em inovação no setor agroindustrial. Ao unir tecnologia de ponta e responsabilidade ambiental, mostramos que é possível produzir mais, com eficiência e sustentabilidade”, destacou Caiado.

“Tenho certeza de que este projeto nasce em Goiás, mas terá um futuro muito promissor para todo o país, porque a agricultura necessita dessa amônia”, disse o CEO da Tsubame, Koji Nakamura.

O projeto envolve a construção de uma planta em Mineiros, na Usina de Etanol Morro Vermelho, com a expectativa de gerar cerca de 90 empregos diretos. A previsão é que a produção se inicie em 2028.

Caiado visita sede da startup Tsubame, em Yokohama, para conhecer nova tecnologia para produção de fertilizante de amônia aquosa verde: empresa estima investir mais de R$ 200 milhões em Mineiros

Durante a reunião com Caiado, os representantes da empresa explicaram que a tecnologia utiliza um catalisador para produzir amônia de baixa temperatura e pressão, o que garante segurança, eficiência e sustentabilidade ao processo e vem sendo testada e aprovada para utilização na agricultura desde 2019.

Ainda no segundo dia da missão, Caiado reuniu-se com lideranças do Banco Japonês para Cooperação Internacional (JBIC) para discutir o início de operações em Goiás, onde a instituição, presente no Brasil desde 1958, ainda não atuava. No encontro, o JBIC sinalizou apoio irrestrito aos projetos goianos, destacando propostas de eletrificação de alta tensão nas regiões Nordeste e Vale do Araguaia e financiamento de silos para armazenamento de safra de até 18 milhões de grãos.

O executivo Amakawa Kazuhiko reafirmou o interesse em “começar um trabalho de longa duração” com o Estado e orientou a comitiva sobre os procedimentos para obter empréstimos e financiamentos. Além de Caiado, participaram secretários de Estado, prefeitos, deputados e representantes da indústria.

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