Hoje é 6 de março de 2026 09:28

Caiado anuncia apoio a empresas goianas afetadas pelo tarifaço de Trump

Governo de Goiás lançou três linhas de crédito para reduzir impactos financeiros decorrentes da tarifação anunciada às exportações brasileiras
Governador Ronaldo Caiado apresenta linhas de crédito para mitigar impacto de tarifas anunciadas pelo presidente americano contra o Brasil // Fotos: Lucas Diener e Cristiano Borges

Em reunião com empresários nesta terça-feira (22/7), no Palácio das Esmeraldas, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (UB), detalhou as linhas de crédito lançadas pelo governo estadual para reduzir os efeitos financeiros do tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos contra o Brasil. Goiás é o primeiro estado a adotar medidas em resposta à decisão do presidente Donald Trump de sobretaxar em 50%, a partir de 1º de agosto, todos os produtos brasileiros que chegarem ao mercado americano

Os EUA são o segundo maior destino das exportações goianas, ficando atrás apenas da China. Participaram do encontro representantes de diversos setores do estado. A iniciativa prevê três fundos de apoio às empresas afetadas.

“Somos um Estado que busca todos os mecanismos para auxiliar os empresários e os trabalhadores goianos. Essa é minha primeira preocupação como governador”, enfatizou Caiado.

O primeiro é o Fundo Creditório, a nova linha de crédito criada pelo Governo de Goiás para apoiar os segmentos da economia goiana que mais exportam para os Estados Unidos. A medida foi antecipada pelo governador no último sábado (19/7), por meio das suas redes sociais, e beneficia o setor produtivo já a partir do mês de agosto, com estimativa de pelo menos R$ 628 milhões em créditos de Imposto sobre Circulação de Bens e Serviços (ICMS) passíveis de utilização como garantia para acesso à linha de crédito.

Nesta modalidade, são previstos R$ 314 milhões em créditos de ICMS e R$ 314 milhões provenientes de apoiadores do mercado financeiro que queiram aportar no fundo. A proposta será apresentada, oficialmente, em um leilão na Bolsa de Valores B3 em São Paulo, no dia 5 de agosto. A taxa de juros da nova medida será de 10% ao ano, pelo menos três pontos percentuais abaixo das linhas subsidiadas por programas federais, como Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Plano Safra e fundos constitucionais.

Outra opção apresentada pelo governador é a utilização do Fundo de Equalização para o Empreendedor (Fundeq), um fundo público de natureza financeira vinculado à Goiás Fomento, criado em 2020 durante a pandemia de Covid-19, com objetivo de fornecer recursos financeiros para subsidiar o pagamento de encargos em operações de crédito.

A terceira alternativa é a utilização do Fundo de Estabilização Econômica do Estado de Goiás, uma reserva financeira que pode ser utilizada em momentos de crise econômica para garantir a continuidade de serviços essenciais.

Representantes do empresariado goiano endossaram as propostas do Governo de Goiás, elogiando o governador Caiado pela iniciativa e agilidade.

Flávio Rassi, vice da Fieg, disse ser “impressionante a ferramenta apresentada” e elogiou um governador que pensa com antecedência.

Paulo Afonso Ferreira, vice-presidente da CNI no Centro-Oeste, destacou que “Goiás sai na frente ao debater esse enfrentamento”.

Zé Garrote, ex-presidente da Adial, chamou a proposta de “inovação que abre oportunidades e novas formas de negociar”.

Clodoaldo Calegari, da Aprosoja Goiás, considerou a ação “corajosa”, valorizando o posicionamento pioneiro do Estado.

Objetivo é tranquilizar trabalhadores e empresários’

Caiado sublinhou que o setor empresarial sempre foi parceiro do governo e é peça importante nos avanços alcançados na gestão, que consolidaram Goiás como uma referência em liquidez, educação, saúde, segurança e programas sociais.

“Se hoje temos um Estado cada vez mais industrializado e moderno, é graças a vocês. O nosso objetivo é resgatar a condição de tranquilidade de trabalhadores e empresários”, disse Caiado, ao explicar que o intuito do encontro é reunir entidades de classe e poderes para, de forma conjunta, buscar alternativas para o desafio.

As empresas interessadas nas soluções devem realizar o processo junto à Secretaria-Geral do Governo (SGG) e, como contrapartida, devem assumir o compromisso de manter os empregos durante o período de acesso ao crédito.

Crédito poderá ser usado para capital de giro

O objetivo das medidas anunciadas, segundo o Governo estadual, é proteger a economia local dos impactos das sobretaxas de 50% sobre commodities como soja, carne e derivados do aço. Segundo o Instituto Mauro Borges (IMB), os valores serão destinados a novos investimentos e ampliação de capacidade produtiva, mas podem também ser utilizados como capital de giro, com objetivo de manter os negócios em funcionamento em períodos de queda nas vendas.

As atividades econômicas contempladas incluem produção e beneficiamento de minerais, setor agrícola (como cultivo de café, algodão e soja), indústria de alimentos, pesquisa científica, criação de bovinos, entre outras.

O Governo estadual também instituiu um comitê para diálogo diário com empresários sobre os impactos das tarifas. Caiado iniciará reuniões setoriais nesta quarta com seis segmentos (Fármacos, Carnes, Mineração, Sucroenergético, Soja/cítricos e Curtumes) para mapear demandas e coordenar ações das secretarias. A medida visa mitigar os efeitos econômicos das novas tarifas.

Titular da SGG, Adriano da Rocha Lima, explicou que o novo comitê – formado por seis secretarias – escolherá as áreas estratégicas que receberão recursos do fundo, visando ao desenvolvimento do Estado, à preservação de empregos e à mitigação dos impactos das tarifas norte-americanas. A Secretaria da Economia validará os créditos de ICMS e autorizará sua transferência entre contribuintes, garantindo a regularidade fiscal; a liberação dos valores começa em 6 de agosto.

Estado exporta para EUA principalmente carne

Os Estados Unidos são, hoje, o segundo principal destino das exportações goianas, atrás da China. Somente de janeiro a junho deste ano, o Estado comercializou US$ 337,4 milhões em produtos, com destaque para carnes (61%), ferro fundido, ferro e aço (11%). No mesmo período, Goiás comprou US$ 289,6 milhões em produtos americanos, principalmente máquinas e instrumentos mecânicos (38%) e itens farmacêuticos (29%).

Participaram também a primeira-dama Gracinha Caiado, secretários, representantes de entidades como Faeg, Sindicarnes, OCB-Goiás, Aprosoja, Facieg, Acieg, CDL, Fecomércio, Sebrae, Senar, Sesc/Senac, AGM e FGM, além dos prefeitos de Goiânia, Sandro Mabel, e de Formosa, Simone Ribeiro.

Quer receber nossas notícias em seu whatsapp?

Compartilhar em:

Notícias em alta