Hoje é 27 de julho de 2024 00:31
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Câmara decide manter prisão de deputado Chiquinho Brazão

Da bancada goiana, quatro deputados votaram pela soltura e seis a favor da manutenção da prisão do suposto mandante da morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes
Após parecer no mesmo sentido da Comissão de Constituição e Justiça, em plenário 277 deputados votaram a favor da manutenção da prisão e 129 votaram contra, além de 28 abstenções // Fotos: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

A Câmara dos Deputados aprovou, no início da noite desta quarta-feira (10/4), o parecer que determina a manutenção da prisão do deputado Chiquinho Brazão (sem partido-RJ). Em plenário, 277 deputados votaram a favor e 129 votaram contra, além de 28 abstenções. Eram necessários 257 votos para manter a prisão, a maioria absoluta dos membros da Câmara.

O dia da votação foi marcado por uma forte mobilização de deputados da extrema direita para soltar o parlamentar. Entre os parlamentares da bancada goiana, votaram a favor da soltura quatro deputados: Gustavo Gayer, Professor Alcides (ambos do PL), Magda Mofatto (PRD) e Marussa Boldrin (MDB). Seis votaram pela manutenção da prisão: os deputados Delegada Adriana e Rubens Otoni (ambos do PT), Glaustin da Fokus (Podemos), Hildo do Candando (Republicanos), José Nelto (PP) e Silvye Alves (UB).

O deputado é acusado de ser um dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSol) e de seu motorista, Anderson Gomes, no dia 14 de março de 2018, no Rio de Janeiro. Brazão foi preso por obstrução de Justiça no dia 24 de março, por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

A decisão foi confirmada por unanimidade pela Primeira Turma do STF, que também determinou a prisão do conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro Domingos Brazão e do delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro Rivaldo Barbosa. Os três são investigados por envolvimento no homicídio de Marielle e Anderson.

De acordo com a Constituição Federal, quando um parlamentar federal é preso, o fato deve ser comunicado à respectiva Casa Legislativa para que se manifeste sobre a manutenção da ordem ou sua revogação. Atualmente, o deputado está detido no presídio federal de Campo Grande (MS).

Ao final da votação, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), informou que a decisão será comunicada ao Supremo Tribunal Federal.

Imunidade não pode ser escudo para prática de crimes, diz relator

Darci de Matos, relator do caso na Comissão de Constituição e Justiça

Antes da votação em plenário, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados aprovou por 39 votos a 25 o parecer do deputado Darci de Matos (PSD-SC), que pede a manutenção da prisão do deputado. Mais cedo, o Conselho de Ética da Casa instaurou processo que poderá levar à cassação do mandato de Chiquinho Brazão.

Em seu parecer, Darci de Matos lembrou que a Constituição Federal admite a possibilidade de prisão de parlamentares, desde que atendidos requisitos como a flagrância e a inafiançabilidade do crime que ensejou a prisão.

“Entendo que as prerrogativas dos parlamentares são para proteger a sua atuação. Não podemos admitir que se utilize a imunidade parlamentar como escudo para a prática de crimes”, disse.

O advogado de defesa de Chiquinho Brazão, Cleber Lopes, disse que a decisão da CCJ foi alicerçada em considerações de mérito, sobre uma eventual culpabilidade do parlamentar. Ele argumentou que a Constituição Federal é categórica ao determinar que o parlamentar só pode ser preso em flagrante delito e por crime inafiançável, e esse não é o caso do deputado Brazão.

“Não há prisão em flagrante. Nós temos uma prisão preventiva decretada ao arrepio da Constituição da república”, disse.

Ele também alegou a falta de competência do STF para julgar a questão, já que os atos ocorreram antes da eleição de Brazão como deputado federal. Na época da morte de Marielle, ele era vereador na cidade do Rio. (Com informações da Agência Brasil)

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