A juíza Shauhanna Oliveira de Sousa Costa, da comarca de Morrinhos, condenou um casal a 363 anos de prisão, em regime fechado, por estupro de vulnerável e pornografia infantil. O homem recebeu pena de 204 anos, 4 meses e 10 dias de reclusão, enquanto a mulher foi sentenciada a 159 anos e 17 dias. Eles não poderão recorrer em liberdade.
As investigações apontam que o casal atuou criminosamente entre 2021 e julho de 2025 no Setor São Francisco de Assis, atingindo ao menos dez crianças com idades entre 3 e 7 anos. Para atrair as vítimas, a mulher oferecia serviços de babá às vizinhas e costumava convidar amigas da própria filha para brincar na residência. Uma vez no local, os abusos eram praticados e filmados.
O esquema foi descoberto quando uma filha da acusada encontrou mensagens no celular da mãe nas quais o companheiro pedia que a jovem fosse fotografada nua. A adolescente relatou o fato à tia e à avó, que acionaram as autoridades. As apurações tiveram início em São Paulo e foram transferidas para Goiás após a identificação da residência dos suspeitos.
Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão expedidos a pedido do Ministério Público de Goiás (MPGO), a Polícia Civil prendeu os dois em flagrante no dia nove de outubro de 2025. Nos celulares periciados foram encontrados 230 gigabytes de material pornográfico infantil, equivalentes a centenas de horas de gravações produzidas pelos próprios réus, incluindo imagens de abusos cometidos contra os próprios filhos.
Além da prisão, a sentença determinou a perda do poder familiar do casal sobre os filhos e fixou indenizações de R$ 30 mil para cada vítima de abuso sexual e de R$ 10 mil para cada criança que teve imagens armazenadas. Os aparelhos eletrônicos apreendidos serão destruídos após o trânsito em julgado para evitar o vazamento das gravações. As vítimas e suas famílias foram encaminhadas para atendimento psicológico na rede pública.
Na decisão, a magistrada rejeitou a tese da defesa de que a mulher agia sob coação do companheiro, destacando que mensagens e vídeos comprovam a participação ativa da ré nos crimes.
Relatos de crimes durante processo abrem outras frentes de investigação
Durante a fase de instrução processual, as vítimas prestaram depoimentos por meio do protocolo de depoimento especial, em ambiente protegido, para evitar a revitimização. Ao longo das oitivas, as crianças relataram outras condutas criminosas cometidas pelo casal.
A juíza Shauhanna Oliveira de Sousa Costa determinou a remessa de cópias do processo ao Ministério Público de Goiás para que esses novos fatos sejam apurados em procedimentos investigativos independentes.
O MPGO ressalta a importância de denunciar suspeitas de violência contra crianças e adolescentes. As notificações podem ser feitas junto ao Conselho Tutelar, Polícia Civil, Disque 100 ou diretamente nas Promotorias de Justiça.

