A Polícia Civil de Goiás, por meio da Delegacia de Repressão a Crimes Contra o Consumidor (Decon), em conjunto com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), apreendeu mais de dois mil frascos do produto “Específico Pessoa” durante uma operação em Trindade. A ação foi realizada em uma empresa clandestina fabricante de medicamentos de uso veterinário, onde foi cumprido mandado de busca e apreensão.
O produto apreendido era anunciado pelo fabricante como eficaz no combate a picadas de aranha, cobra, escorpião e abelhas, alegação não comprovada pelo Mapa. Além da falta de comprovação dos fins terapêuticos, o medicamento não possuía registro junto ao órgão federal, violando as normas de qualidade da matéria-prima, do processo de produção e do produto final.

Os frascos apreendidos totalizam um valor aproximado de R$ 100 mil, considerando que cada unidade era comercializada por cerca de R$ 50. O proprietário do estabelecimento foi identificado e responderá por crimes contra as relações de consumo, além de enfrentar sanções administrativas como a suspensão das atividades.
De acordo com pesquisa realizada pelo NG, o “Específico Pessoa” é uma tintura de raízes vendida como antídoto universal para picadas de animais peçonhentos, sem autorização para comercialização como medicamento.
“O produto contém extratos de plantas como raiz de cobra, conhecidas por propriedades antialérgicas e coagulantes que podem auxiliar em casos de envenenamento. No entanto, a bula apresenta informações enganosas ao afirmar ser ‘cura infalível’, usando registros de 1920 que já não possuem validade legal”, constatou a investigação.
As autoridades alertam que o produto não substitui o tratamento médico convencional, especialmente considerando a variedade de venenos com efeitos neurotóxicos e hemotóxicos. A tintura pode ter efeito placebo ou auxiliar como coadjuvante, mas não deve ser utilizada como único tratamento em casos de envenenamento.
