As comemorações pelos 80 anos do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) reuniram, em Brasília, lideranças da área contábil, representantes institucionais, pesquisadores e especialistas para uma ampla reflexão sobre os desafios e transformações da profissão diante da economia digital, da inteligência artificial e da governança de dados. Entre os participantes esteve o pesquisador, professor e contabilista Einstein Paniago, conselheiro do CFC, que integrou a programação oficial da entidade e participou dos debates voltados ao futuro da contabilidade brasileira.
As atividades fizeram parte de uma agenda nacional promovida pelo Sistema CFC/CRCs, que incluiu a inauguração da exposição do Museu da Contabilidade no Congresso Nacional e encontros técnicos sobre inovação, transparência institucional e transformação tecnológica da profissão.
Para Paniago, o momento representa um marco histórico para a valorização e fortalecimento da classe contábil no Brasil.
“Tivemos a oportunidade de debater temas estratégicos que impactam diretamente o desenvolvimento econômico, a transparência institucional e a evolução da contabilidade brasileira. Vivemos um novo tempo, em que tecnologia, inovação e responsabilidade caminham lado a lado”, afirmou.
Segundo ele, o avanço da inteligência artificial não reduz a importância do profissional da contabilidade, mas amplia a necessidade de qualificação técnica e capacidade estratégica.
“A inteligência artificial não substitui o profissional contábil; ela amplia a necessidade de preparo técnico, visão estratégica, ética e capacidade de interpretação”, destacou.

Além de Einstein Paniago, a representação goiana no evento contou com a presença de Weberth Fernandes, atual vice-presidente administrativo do CFC, e vários profissionais do estado.
Debates internacionais
A participação de Paniago nas comemorações dos 80 anos do CFC ocorre poucas semanas após sua presença na comitiva brasileira do Summit Inovação e Desenvolvimento Socioeconômico, realizado em Lisboa, Portugal, nos dias 30 e 31 de março.
O encontro internacional reuniu especialistas, autoridades públicas, representantes acadêmicos e lideranças empresariais para discutir os impactos da transformação digital, da sustentabilidade e da governança econômica sobre a atividade contábil global.
O principal resultado do evento foi a divulgação da Carta de Lisboa, manifesto que consolida a contabilidade como elemento estratégico para o desenvolvimento econômico, a segurança jurídica e a estabilidade institucional das nações.

Idealizado pelo Conselho Federal de Contabilidade, o Summit foi promovido pela Fundação Brasileira de Contabilidade (FBC), Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE), Academia Brasileira de Ciências Contábeis (Abracicon) e FGV Conhecimento, com apoio da União dos Contabilistas e Auditores de Língua Portuguesa (UCALP).
O documento estabelece que a contabilidade deixou de exercer apenas função de registro técnico para ocupar posição central nos processos de tomada de decisão econômica, transparência institucional e construção de confiança nos mercados.
Ao longo do encontro, foram debatidos temas ligados à economia de dados, infraestrutura, energia, saneamento, transportes, inteligência artificial, sustentabilidade e reforma tributária, áreas nas quais a contabilidade passou a exercer papel decisivo na mensuração de riscos, avaliação de investimentos e estruturação de políticas públicas.
A Carta de Lisboa também reforça a necessidade de integração entre contabilidade, governança digital e práticas ESG, defendendo maior participação da profissão na construção de modelos econômicos sustentáveis e orientados por dados.
Para Einstein Paniago, a discussão demonstra que a contabilidade vive um processo de transformação estrutural em escala global.
“A profissão contábil ocupa hoje posição estratégica na construção de ambientes econômicos mais transparentes, seguros e sustentáveis. A informação contábil tornou-se elemento central para decisões empresariais, políticas públicas e atração de investimentos”, avalia.
Modernização da profissão
Durante os debates promovidos pelo CFC, temas como inteligência artificial, análise de dados, compliance, sustentabilidade e governança digital ganharam protagonismo nas discussões sobre o futuro da profissão.
A avaliação predominante entre os participantes é de que o contador contemporâneo deixou de atuar exclusivamente no campo operacional e passou a ocupar papel estratégico dentro das organizações públicas e privadas.
Nesse contexto, Paniago defende que a modernização da contabilidade deve caminhar ao lado da valorização técnica e ética da profissão.
“Seguimos firmes no propósito de contribuir para uma contabilidade cada vez mais moderna, humana, segura e conectada com as demandas da sociedade”, afirmou.

Ao completar oito décadas de atuação institucional, o Conselho Federal de Contabilidade reforçou, durante as celebrações, o compromisso com a modernização da profissão, a formação técnica continuada e o fortalecimento da contabilidade como instrumento essencial para o desenvolvimento econômico e institucional do país.

