A Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), juntamente com 35 sindicatos industriais goianos, aderiu ao manifesto nacional coordenado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) que reúne mais de 400 entidades empresariais contrárias a propostas de redução da jornada de trabalho sem ajustes de produtividade.
O documento, divulgado nesta quinta-feira (9/4), expressa preocupação do setor produtivo com os possíveis impactos econômicos e sociais das mudanças em discussão no país. Segundo as entidades, a diminuição da carga horária semanal com manutenção de salários pode elevar significativamente os custos das empresas, com reflexos sobre preços, investimentos e geração de empregos.
Em Goiás, a adesão da Fieg reforça o alinhamento da indústria local ao debate nacional. O presidente da entidade, André Rocha, afirmou que a discussão precisa ser conduzida com responsabilidade e clareza conceitual.
“A busca por mais equilíbrio entre trabalho e vida pessoal é legítima, mas não podemos confundir escala com jornada. O que está em debate, na prática, é a redução da carga horária com manutenção de salários, e isso exige cautela para não penalizar quem gera empregos”, afirmou.
Segundo ele, o país ainda enfrenta desafios estruturais que impactam a produtividade e a competitividade da indústria. “Temos um ambiente de negócios com custos elevados e produtividade que cresce de forma lenta. Reduzir a jornada por imposição legal, sem avanços concretos em eficiência, tende a aumentar despesas, pressionar preços e comprometer a capacidade de investimento das empresas”, pontuou.
Defesa da negociação coletiva
O presidente da Fieg também destacou que a negociação coletiva é considerada pelo setor produtivo o caminho mais adequado para tratar do tema.
“A legislação já permite que trabalhadores e empregadores construam soluções equilibradas por meio de acordos e convenções coletivas. Engessar esse processo pode enfraquecer o diálogo e limitar alternativas que hoje funcionam na prática”, acrescentou.
Entidade entende que há risco de perda de competitividade da indústria brasileira
O manifesto ainda chama atenção para o risco de perda de competitividade da indústria brasileira diante do cenário internacional. De acordo com o documento, o aumento de custos internos pode reduzir a presença do país em mercados externos e dificultar a atração de novos investimentos.
Outro ponto citado pelas entidades é que países que avançaram na redução da jornada de trabalho passaram por ciclos prolongados de aumento de produtividade, com investimentos em educação, tecnologia e inovação.
Ao aderir ao manifesto, a Fieg reforça a defesa de um debate técnico sobre o tema, baseado em dados e no diálogo entre os diferentes setores da economia, considerando os impactos sobre a produção, o mercado de trabalho e a competitividade da indústria nacional.

