Hoje é 5 de março de 2026 23:44

EUA ameaçam intensificar ataques ao Irã, caso haja retaliação

Diante do ataque, Agência Internacional de Energia Atômica convocou reunião de emergência e o papa pediu que “silencie as armas"
Casa Branca informou que a operação militar, batizada de “Midnight Hammer” (“Martelo da Meia-Noite”), atingiu instalações nucleares iranianas que foram “completamente devastadas” // Fotos: www.whitehouse.gov/www.un.org

No dia seguinte aos ataques contra o Irã, o governo dos Estados Unidos advertiu que qualquer retaliação iraniana “será recebida com uma força muito maior do que a vista nesta noite”. A declaração foi feita por Pete Hegseth, secretário de Defesa, em entrevista coletiva no Pentágono, acompanhado pelo chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine.

A operação militar, batizada de “Midnight Hammer” (“Martelo da Meia-Noite”), atingiu instalações nucleares iranianas que, segundo Hegseth, foram “completamente devastadas”.

O secretário reforçou que o alvo não foram soldados ou civis, mas sim as ambições nucleares do país: “Graças à liderança ousada e visionária do presidente Trump, e o compromisso dele com a paz através da força, as ambições nucleares do Irã foram obliteradas”.

“O Irã será inteligente em prestar atenção a essas palavras”, advertiu Hegseth.

“Os Estados Unidos não procuram guerra. Mas deixe-me ser claro: agiremos rápida e decisivamente quando nosso povo e parceiros são ameaçados”, acrescentou.

O Irã confirmou o ataque, sem detalhar os danos. Imagens de satélite da região de Fordow mostraram uma nuvem de poeira e terra acinzentada, sugerindo destruição de instalações subterrâneas. A Agência de Energia Atômica do Irã garantiu que as atividades não seriam interrompidas.

“A Organização de Energia Atômica do Irã assegura à grande nação iraniana que, apesar das conspirações malignas de seus inimigos, não permitirá que o caminho do desenvolvimento desta indústria seja interrompido”, informou em comunicado.

Pete Hegseth, secretário de Defesa dos Estados Unidos: “Ambições nucleares do Irã foram obliteradas”

A tensão escalou quando o Irã retaliou com uma salva de mísseis contra Israel, ferindo 23 pessoas em Tel Aviv. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, declarou que “diplomacia não é mais uma opção” e seguiu para Moscou, onde se reuniu com Vladimir Putin.

A comunidade internacional reagiu imediatamente. A Agência Internacional de Energia Atômica convocou reunião de emergência. O papa Francisco apelou: “Que a diplomacia silencie as armas”. E o Conselho de Segurança da ONU foi acionado pelo Irã, que classificou o ataque dos EUA como “agressão ilegal”.

Bombardeio durou cerca de meia hora

O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, detalhou que a operação começou com a decolagem de bombardeiros da base de Whiteman à meia-noite (horário de Washington) e atingiu o Irã por volta das 18h locais (2h30 em Teerã).

Segundo ele, o ataque – conduzido por “aviões bombardeiros e submarinos” – durou cerca de 30 minutos.

“Não houve nenhum tiro do Irã ou dos Estados Unidos na entrada ou saída”, afirmou, destacando a precisão e a curta duração da ofensiva.

Implosão” das negociações sobre programa nuclear

O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, acusou os EUA e Israel de “explodir essa diplomacia” sobre o programa nuclear iraniano. Em Istambul e no X, ele afirmou que negociações em Genebra foram “revertidas” pelos americanos e questionou: “Como poderia o Irã voltar a algo que nunca abandonou, e muito menos destruiu?”

O presidente Donald Trump confirmou o ataque a Fordow, Natanz e Esfahan em suas redes sociais: “Concluímos o nosso bem-sucedido ataque às três instalações nucleares no Irã”.

A União Europeia e o Reino Unido pedem moderação, mas a confiança no processo diplomático está abalada.

Secretário-geral da ONU diz estar ‘alarmado’ com ataque

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, manifestou profunda preocupação com os ataques dos Estados Unidos ao Irã em 21 de junho. Em publicação na rede social X, Guterres classificou a ação militar como uma “escalada perigosa em uma região já em perigo – e uma ameaça direta à paz e à segurança internacionais”.

António Guterres, secretário-geral da Organização das Nações Unidas: ameaça à paz e segurança internacionais

Nos EUA, parlamentares republicanos como o senador Lindsey Graham apoiaram a decisão de Trump, afirmando que “foi a decisão certa” e que “o regime merece”.

Por outro lado, líderes democratas condenaram veementemente a ação: “É absoluta e claramente motivo para impeachment”, declarou a congressista Alexandria Ocasio-Cortez.

“Donald Trump assume total e completa responsabilidade por quaisquer consequências adversas decorrentes de sua ação unilateral”, afirmou o líder da minoria na Câmara, Hakeem Jefferies.

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