A Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) reuniu representantes do setor produtivo, governo e especialistas nesta quarta-feira (23/9), em Goiânia, para discutir investimentos, novos projetos e os desafios da mineração diante das novas demandas por minerais estratégicos. O seminário “Mineração em Goiás: desafios e oportunidades” teve entre os principais temas o potencial das terras raras e as condições para ampliar a produção no Estado.
Na abertura, o presidente da Fieg, André Rocha, defendeu a articulação entre empresas, poder público e instituições para superar entraves que dificultam novos empreendimentos.
“Nós temos esses desafios, temos essas oportunidades, precisamos trabalhar juntos para vencer as burocracias, as amarras, as dificuldades econômicas que nos impedem de avançarmos mais”, afirmou.
Rocha destacou ainda a posição de Goiás na atividade mineral nacional e relacionou o setor a transformações como inteligência artificial, mudanças climáticas e transição energética, que ampliam a demanda por determinados minerais.
O presidente do Conselho Consultivo do Sindicato das Indústrias de Mineração de Goiás e Distrito Federal (Minde), Luiz Antônio Vessani, destacou a posição de Goiás na produção de terras raras e níquel. Ele citou a Serra Verde, em Minaçu, e o projeto em desenvolvimento em Nova Roma como exemplos do potencial do Estado.
“Esse momento para Goiás significa uma oportunidade incrível”, afirmou Vessani.
Segundo ele, o avanço da atividade depende da superação de entraves e de políticas públicas que aproximem empresas, governo, municípios e comunidades. O dirigente ressaltou que o seminário foi organizado para iniciar uma discussão sobre os caminhos do setor, e não para encerrar os temas.
“Não é intenção nossa finalizar temas, muito pelo contrário, é começar uma discussão e construir junto o papel”, disse.
Governo anuncia Secretaria de Minas e Energia

O governador Daniel Vilela participou da abertura e afirmou que o Estado pretende ampliar a atuação no setor mineral e fortalecer o diálogo com empresas e entidades. Ele também destacou o potencial das terras raras e a possibilidade de novos investimentos contribuírem para o desenvolvimento do Nordeste Goiano.
“Nós precisamos avançar, nós temos que construir soluções que vão permitir o avanço da nossa produção, lógico respeitando o meio ambiente, tomando todas as precauções necessárias”, afirmou.
Durante o evento, Vilela anunciou a criação da Secretaria de Minas e Energia, que, segundo ele, deverá ampliar a atuação do governo estadual na área.
Sete painéis discutem desafios do setor
A programação segue até as 18h, com sete painéis sobre economia mineral, desenvolvimento regional, municípios mineradores, segurança alimentar, longevidade das operações, minerais críticos, Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) e padrões de desempenho para o desenvolvimento sustentável.
Participam dos debates Erik Figueiredo (IMB), Eder (Embrapa Cerrado), Tadeu Veiga (Geos Consultoria), Guilherme Jácomo (Brazilian Nickel), Ailson Andrade (ANM), Rafael Benke (Proactiva) e Martin Ignácio (Anglo American).
Também participaram da abertura Joel de Sant’Anna Braga (SIC), Luiz Antônio Rosa (Codego), Luiz Carlos Borges (Sindiareia), Nilo Bernardino (Sincal), Lucas Bernardino (Fieg Jovem) e Claudemir Bonatto, diretor regional interino do Senai e superintendente interino do Sesi, além de representantes da Semad e do setor produtivo.

Com a discussão concentrada em novos investimentos, terras raras e entraves regulatórios e econômicos, o encontro coloca em pauta as condições necessárias para ampliar a atividade mineral em Goiás, sem deixar de considerar as exigências ambientais e os impactos nos municípios envolvidos.

