A Delegacia Especializada no Atendimento ao Idoso de Goiânia e a Vigilância Sanitária realizaram nesta sexta-feira (13/3) mais uma etapa da Operação Visita Inesperada. A força-tarefa concentrou esforços para averiguar a possível existência de uma Instituição de Longa Permanência para Idosos que funcionava sem autorização legal na capital.
As equipes se deslocaram até o endereço indicado para confirmar as suspeitas de irregularidades na prestação do serviço de acolhimento. A intervenção foi motivada por uma denúncia sobre o funcionamento clandestino da unidade de repouso no local.
O ponto de partida para a fiscalização foi um relato registrado no Disque 100, canal da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos. Durante a diligência, os agentes buscaram validar as informações recebidas pelo serviço de proteção federal sobre a situação do abrigo.
No imóvel alvo da inspeção, que não teve o endereço divulgado, as autoridades localizaram um idoso sob a guarda de uma mulher. Ela relatou aos policiais que o marido era o responsável direto pela assistência à vítima e que recebia benefícios financeiros para exercer essa função de cuidado.

O homem mencionado como gestor do local não estava presente na residência no momento em que os fiscais realizavam a vistoria.
“A inspeção detalhada revelou um cenário de profunda insalubridade e falta de preparo para o abrigamento de pessoas idosas”, informou a Polícia Civil.
Os agentes encontraram lixo acumulado, dejetos de animais e diversos objetos espalhados por todo o ambiente doméstico. A gravidade da situação era acentuada pela presença de fraldas sujas com urina e fezes, evidenciando o abandono e a falta de higiene básica.
A estrutura física do imóvel também se mostrou incompatível com as necessidades de indivíduos que possuem mobilidade reduzida. Não havia banheiros adaptados ou qualquer tipo de acessibilidade que garantisse a segurança necessária aos residentes da casa.
Notificação e prazo para transferência
Ficou comprovado que o idoso pagava para morar no local, o que configurou juridicamente a existência de uma instituição de longa permanência operando de forma ilegal. Em razão das falhas detectadas, a Vigilância Sanitária notificou formalmente os responsáveis pela residência.
Foi estabelecido um prazo rigoroso de três dias para que a vítima seja transferida para um ambiente adequado e seguro. A identidade dos envolvidos na ocorrência foi preservada pelas autoridades, que seguem monitorando o cumprimento das determinações para garantir o bem-estar.
A Operação Visita Inesperada mantém um cronograma de fiscalizações periódicas ou baseadas em denúncias específicas em Goiânia. Em novembro de 2025, uma ação semelhante identificou graves irregularidades em outro abrigo após queixas sobre má alimentação e falta de profissionais.
Naquela ocasião, o estabelecimento reincidente foi multado e um inquérito policial acabou instaurado para investigar o crime de maus-tratos. As ações conjuntas buscam assegurar que todas as unidades de acolhimento respeitem rigorosamente os direitos estabelecidos na legislação vigente.
