A Polícia Civil de Goiás prendeu preventivamente, na manhã desta segunda-feira (21/9), a fisioterapeuta Magda Oliveira da Silva. Ela é investigada por realizar procedimentos estéticos invasivos que resultaram em mutilações, necroses e lesões gravíssimas em ao menos sete pacientes na capital. A ação foi conduzida pela 7ª Delegacia Distrital de Polícia de Goiânia e pelo Grupo Especial de Investigações Criminais (Geic).
Durante a operação, os agentes cumpriram três mandados de busca e apreensão na residência da investigada e em duas salas comerciais onde ela atendia. Nos locais, foram apreendidos celulares, insumos sem alvará sanitário e medicamentos com prazo de validade vencido.
As apurações apontam que, embora possua cursos em harmonização facial, corporal e íntima, a profissional extrapolou os limites legais e técnicos da fisioterapia ao executar intervenções cirúrgicas, realizar cortes com bisturi, remover tecidos anatômicos e prescrever medicamentos.
“Identificamos sete vítimas, algumas delas tiveram lesões gravíssimas nas partes íntimas. Ela não tem autorização dos órgãos responsáveis para realizar esse tipo de procedimento, que é inclusive um procedimento cirúrgico”, explica o delegado Alex Rodrigues.
As vítimas relataram complicações severas em intervenções nas regiões íntima, facial, mamária e glútea, incluindo infecções, queimaduras, sangramentos e perda de tecido. Em um dos relatos, uma paciente afirmou que a fisioterapeuta retirou excesso de tecido na região genital sem autorização, atingindo o clitóris. Em outro caso, a perícia constatou queimaduras graves nas mamas com presença de tecido desvitalizado.

Relatos obtidos pelos investigadores também apontam falta de higiene nos atendimentos, como a ausência de luvas estéreis e máscaras, além do uso de papel toalha para conter sangramentos.
A Polícia Civil divulgou a imagem de Magda Oliveira da Silva, que divulga o serviço prestado por ela em redes sociais, para auxiliar na identificação de outras possíveis vítimas. Denúncias e informações podem ser prestadas diretamente na unidade policial responsável pelo caso.
Nota da defesa
Em nota, a defesa da fisioterapeuta disse que ela está à disposição da Polícia Civil e do Poder Judiciário para prestar os esclarecimentos necessários e que a profissional confia que os fatos serão esclarecidos durante a investigação. Veja a nota:
“A Sílvio Maia Assessoria, no exercício do acompanhamento institucional da defesa da fisioterapeuta Magda Oliveira da Silva, vem a público prestar os seguintes esclarecimentos quanto às recentes divulgações veiculadas pela imprensa:
Presunção de inocência e devido processo legal: A Sra. Magda Oliveira da Silva reafirma seu compromisso com a verdade e o rigor ético que sempre pautaram sua atuação profissional na área de fisioterapia e estética. Ressalta-se que qualquer apuração deve observar rigorosamente as garantias constitucionais da ampla defesa, do contraditório e da presunção de inocência.
Cooperação com as autoridades: A profissional e sua equipe jurídica estão integralmente à disposição da Polícia Civil e do Judiciário para fornecer todas as informações, laudos técnicos e documentações necessárias. Confiamos que o trâmite das investigações demonstrará a regularidade de sua conduta e o devido cumprimento dos protocolos técnicos aplicáveis aos seus atendimentos.
Esclarecimento dos fatos: Pedimos cautela na divulgação de ilações prematuras e reforçamos que os fatos serão devidamente fundamentados nos autos do processo técnico e pericial competente.
A profissional e a sua defesa reiteram a plena confiança na Justiça e reafirmam que a sua inocência será devidamente comprovada no decorrer dos trâmites legais.”

