As contas da Prefeitura de Goiânia registraram em 2025 um resultado primário de R$ 620,9 milhões, com receita total de R$ 10,02 bilhões, informou o prefeito Sandro Mabel (UB) durante prestação de contas do 3º quadrimestre, na Câmara Municipal, nesta segunda-feira (16/3). O balanço, segundo o Executivo, sinaliza reorganização das finanças e maior capacidade de investimento do município.
O prefeito fez a apresentação do relatório e, em seguida, deixou o plenário para que o secretário da Fazenda, Valdivino Oliveira, desse continuidade à audiência. A saída de Mabel antes do período de perguntas dos vereadores gerou protestos da oposição e gritos de “fujão” nas galerias, e foi criticada por parlamentares que cobram diálogo direto com o chefe do Executivo.
“O superávit foi feito com muito trabalho, com muita atenção, com uma boa equipe e um prefeito que sabe administrar”, afirmou Mabel em entrevista após a sessão, ao destacar ajustes na administração e medidas de contenção de despesas.

“Quem é contratado tem que trabalhar. Só em cinco meses, nós diminuímos R$ 32 milhões em atestados que não precisavam ser dados”, disse o prefeito, citando redução de afastamentos como fonte de economia.
Mabel também afirmou que o município encerrou o ano com R$ 1,2 bilhão em disponibilidade de caixa, apesar de herdar mais de R$ 4 bilhões em dívidas da gestão anterior, e projetou mais investimentos para 2026: “Agora, é acelerar”, disse, ao apontar intenção de aplicar mais de R$ 4 bilhões até 2028 em obras estruturantes e modernização urbana.
“O que se vê na prestação de contas foi que, em 2025, nós gastamos, em termos reais, 13% menos do que em 2024 e 8,9% em termos nominais. Isso, considerando que pagamos R$ 600 milhões do governo anterior que ficaram pendentes seja por falta de orçamento ou empenhados e não pagos”, afirmou o secretário da Fazenda, Valdivino Oliveira, ao detalhar os parâmetros utilizados para calcular o ajuste fiscal.

A prefeitura destacou que o equilíbrio entre controle de despesas e incremento de receita permitiu elevar a capacidade de investimento em áreas como infraestrutura, mobilidade, saúde e educação. A relação entre Executivo e Legislativo, porém, pode ter sido desgastada pela saída precoce do prefeito, ponto repetido por vereadores que cobraram mais esclarecimentos sobre as contas apresentadas (veja logo abaixo).
Arrecadação recorde e investimentos
A arrecadação municipal atingiu R$ 10,02 bilhões em 2025, alta de 9,64% em relação a 2024 e 5,16% acima da inflação no período, segundo a prefeitura. Em quatro anos, a receita saltou de cerca de R$ 6,5 bilhões (2021) para mais de R$ 10 bilhões, elevando a participação de receitas próprias e reduzindo a dependência de transferências.
Os recursos destinados a investimento passaram de R$ 320 milhões em 2024 para R$ 501 milhões em 2025, crescimento de 56,5%, com aplicação em obras de infraestrutura urbana, mobilidade, iluminação pública, saúde e educação. Em 2025, a prefeitura destinou 21,55% da receita para a saúde e 25,83% para a educação, ambos acima dos pisos constitucionais e legais.
Respeito à Lei de Responsabilidade Fiscal
Os indicadores fiscais apontam que Goiânia manteve folga fiscal em 2025. A despesa com pessoal representou 45,97% da Receita Corrente Líquida, bem abaixo do limite legal de 54%. A dívida consolidada líquida ficou em 8,06% da Receita Corrente Líquida, muito aquém do teto permitido de 120%.
A disponibilidade líquida de caixa subiu de R$ 572 milhões em 2024 para R$ 1,2 bilhão em 2025, aumento que, segundo o Executivo, amplia a capacidade de financiamento de projetos e a resistência a choques econômicos.
Vereadores avaliam prestação de contas
O presidente da Comissão Mista, Cabo Senna (PRD), classificou a apresentação como “interessante”, mas criticou a ausência do prefeito no momento das perguntas.
“Foram muitas perguntas feitas e que não foram respondidas, até porque são questões políticas, que um técnico não vai responder”, afirmou.
Sanches da Federal (PP) avaliou os números como “muito bons”, mas ponderou sobre a prioridade de investimentos: “Aqui não é uma empresa, e é muito importante utilizar o dinheiro na prestação de serviços”, disse, apontando que o aumento de arrecadação pode ter decorrido de elevação de taxas.

“O que é importante agora é a população ver resultados. É isso que vamos cobrar e fiscalizar”, declarou Henrique Alves (MDB), ressaltando que a aprovação das contas deve vir acompanhada de execução eficaz dos serviços públicos.
A vereadora Professora Ludmylla (PT) lamentou que o prefeito não tenha permanecido para diálogo direto com os parlamentares e lembrou questões abertas, como a baixa remuneração de servidores administrativos da educação e necessidade de convocação de aprovados em concursos para suprir déficits em salas de aula.
‘Por tudo isso, gostaríamos de ter ouvido o prefeito”, ressaltou a parlamentar.
O líder do prefeito, vereador Wellington Bessa (DC), defendeu o equilíbrio fiscal como condição para ampliar investimentos e declarou: “Este será o ano do investimento”.
