O Governo de Goiás iniciou nesta segunda-feira (3/8) a Campanha Nacional de Multivacinação 2026, estratégia coordenada pela Secretaria de Estado da Saúde (SES) para ampliar a cobertura vacinal de crianças e adolescentes e reduzir o risco de circulação de doenças imunopreveníveis. A mobilização será realizada até o dia 1º de setembro, com o Dia D Nacional marcado pelo Ministério da Saúde para 22 de agosto.
Durante a campanha, as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de todos os municípios goianos estarão preparadas para verificar a situação vacinal da população, atualizar a caderneta de vacinação e orientar pais e responsáveis sobre a importância da imunização. A ação contempla crianças e adolescentes de até 14 anos, 11 meses e 29 dias.
Para receber as vacinas, é necessário apresentar a caderneta de vacinação, documento de identificação, CPF e Cartão Nacional de Saúde (Cartão SUS).
O objetivo é resgatar pessoas com esquemas vacinais incompletos e ampliar a proteção contra doenças como sarampo, poliomielite, meningite, caxumba, rubéola, febre amarela, hepatite e influenza, entre outras previstas no Calendário Nacional de Vacinação.
Cobertura vacinal ainda está abaixo da meta
Embora Goiás tenha registrado avanço nos índices de imunização nos últimos anos, a Secretaria de Estado da Saúde alerta que nenhuma das principais vacinas do calendário infantil alcançou, em 2025, a meta de 95% de cobertura estabelecida pelo Ministério da Saúde.
Entre os destaques está a vacina BCG, cuja cobertura evoluiu de 79% para 94,78%, superando a meta mínima de 90%. Já imunizantes como a vacina contra a febre amarela permanecem abaixo de 80% de cobertura, enquanto as vacinas contra hepatite A e tríplice viral apresentaram crescimento, mas ainda não atingiram o percentual considerado ideal para garantir proteção coletiva.
A vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, alcançou aproximadamente 90% de cobertura em 2025, índice considerado insuficiente diante do atual cenário epidemiológico.
Sarampo volta ao centro das atenções
O principal alerta da campanha deste ano é o sarampo. Após voltar a registrar casos em diferentes regiões do Brasil e em outros países das Américas, a doença reacendeu a preocupação das autoridades sanitárias quanto ao risco de reintrodução do vírus.
Em Goiás, 21 casos suspeitos foram notificados em 2026. Até o momento, nenhum deles foi confirmado, mas a Secretaria de Estado da Saúde reforça que a vacinação permanece como a principal estratégia para impedir a circulação da doença.
Segundo a superintendente de Vigilância Epidemiológica e Imunização da SES, Cristina Laval, o Estado já reforçou as orientações técnicas junto às Regionais de Saúde e aos municípios.
“Por São Paulo ter casos confirmados da doença, já iniciamos as recomendações técnicas às Regionais de Saúde e aos municípios para que estejam preparados para esse risco. Orientamos quanto à notificação de casos suspeitos e, a partir disso, se for necessário, realizar o bloqueio vacinal para impedir o alastramento do vírus”, destacou.
O Brasil recebeu, em 2016, o certificado de eliminação da circulação endêmica do sarampo, mas perdeu esse reconhecimento em 2019 após surtos provocados pela queda da cobertura vacinal. O status foi recuperado em 2024, porém o Ministério da Saúde mantém o alerta diante da ocorrência de casos importados e da necessidade de manter elevados índices de vacinação.
Ao longo da campanha, estarão disponíveis nas unidades de saúde todas as vacinas previstas no Calendário Nacional de Vacinação para crianças e adolescentes, reforçando a estratégia do Governo de Goiás de ampliar a proteção da população e evitar o retorno de doenças consideradas controladas no país.

