Hoje é 5 de março de 2026 22:14

Goiás reduz mortes no trânsito, mas números ‘não são aceitáveis’

Para presidente do Detran-GO, diversas ações contribuíram para queda de 11,1% no número de mortes no trânsito no estado em 2025
Delegado Waldir, presidente do Detran-GO: “Há cerca de 15 anos, tínhamos quase duas mil mortes por ano. O número caiu pela metade, mas ainda é intolerável” // Foto: NG/Arquivo

Goiás registrou uma queda de 11,1% nas mortes no trânsito em 2025 na comparação com 2024, resultado que o presidente do Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (Detran-GO), Delegado Waldir, atribui a ações integradas da pasta e de parceiros. Apesar do avanço nas estatísticas, a avaliação oficial é dura: os números continuam longe do aceitável.

O Detran-GO destaca investimentos em campanhas, fiscalização e melhorias viárias como fatores que ajudaram a reduzir a letalidade, mas a administração reforça que a queda não elimina a gravidade do problema. O balanço mostra que, em números absolutos, milhares de vidas ainda são interrompidas por acidentes que poderiam ser evitados.

“Há cerca de 15 anos, tínhamos quase duas mil mortes por ano. O número caiu pela metade, mas ainda é intolerável pensar que 908 famílias estão de luto por algo que poderia ter sido evitado se houvesse respeito às leis de trânsito”, disse Delegado Waldir.

Embora o total de acidentes tenha permanecido na casa dos 101 mil em 2024 e 2025, o número de mortes caiu de 1.021 em 2024 para 908 em 2025 — um recuo de 11,1% nas vítimas fatais. Em 2023, o estado havia registrado 1.084 óbitos em decorrência de sinistros de trânsito.

Presidente do Detran durante entrega de novas motocicletas para o Batalhão de Trânsito // Foto: Arquivo

Para o presidente do Detran-GO, a redução expressiva, observada mesmo com mais veículos circulando, configura uma “mudança de paradigma”.

“O Detran mudou totalmente o perfil das campanhas publicitárias, desde Vira-Virou, agora com caixões nas ruas pra falar com as pessoas que dirigem, com as famílias, chamar a atenção”, afirma Delegado Waldir, ao citar também programas educativos fortalecidos durante sua gestão, como a Cidade Mirim, voltado para crianças.

“Trouxemos um a Delegacia de Trânsito pra cá, mas também fizemos investimentos, permitimos que as Guardas Civis passassem a fazer trânsito, investimos nas GCMs, nas secretarias de Mobilidade, doando motocicletas, vamos mudar veículos agora, bafômetros (cada bafômetro custa R$ 30 mil)”, explica, acrescentando, ainda que o Detran também investiu muito em sinalização e recapeamento de vias nos municípios em parceria com o governo do Estado, por meio da Goinfra.

“Essas ações acabaram resultando em números favoráveis, não são aceitáveis, quando você tem mais de 900 pessoas que faleceram, não são aceitáveis, e a nossa preocupação fica nos acidentes, cada ano a gente tem mais de 100 mil acidentes, e cada acidente uma pessoa ferida”, lembrou.

Homens são quase 70% das vítimas fatais

O levantamento do Detran aponta que a maior parte dos sinistros continua ocorrendo em áreas urbanas. Em 2024, 86,9% dos acidentes foram registrados em zonas urbanas e 13,1% em áreas rurais. Em 2025, a participação urbana manteve-se alta, representando 86% do total, enquanto a zona rural passou a concentrar 14% das ocorrências.

Quanto ao perfil das vítimas fatais por gênero, os homens seguem sendo a maioria. Em 2024, 69% das mortes no trânsito foram de homens e 31% de mulheres. Em 2025, os homens representaram 68,1% das vítimas fatais, enquanto as mulheres corresponderam a 31,9%.

No que diz respeito aos feridos, houve um leve aumento de 0,43%: em 2024 foram contabilizados 101.967 feridos, ante 102.405 em 2025. Esse indicador, segundo as autoridades, reforça a necessidade de intensificar ações educativas e de conscientização sobre comportamento seguro no trânsito.

Delegado Waldir aponta causas recorrentes para acidentes com vítimas: excesso de velocidade, combinação de álcool e direção, uso do celular ao volante e ultrapassagens em locais proibidos. Para ele, enfrentar esses problemas exige políticas públicas contínuas e atuação coordenada.

O presidente do Detran-GO reforça que a preservação da vida no trânsito é um compromisso permanente. Para Delegado Waldir, os dados positivos, embora insuficientes, demonstram que a redução da letalidade resulta de ações integradas — fiscalização estratégica, campanhas educativas permanentes, uso de dados para planejamento e articulação com forças de segurança e órgãos de saúde — e que ainda há muito a avançar.

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