Hoje é 6 de março de 2026 02:31

Grupo é alvo de 14 mandados de prisão e buscas em Goiás

Criminosos utilizavam WhatsApp para se passar por verdadeiros gestores de empresas e exigiam pagamento “urgente” de supostos fornecedores
Ação da PCGO cumpriu mandados judiciais em Goiânia, Aparecida de Goiânia, Caturaí e Senador Canedo e apreendeu objetos de valor, armas e dinheiro em espécie // Fotos: PCGO

A Polícia Civil de Goiás deflagrou na manhã desta terça-feira (24) a Operação Dominus Fictus para desarticular um esquema criminoso especializado em golpes virtuais contra empresas. A ação mira a prisão de suspeitos e o sequestro de bens que chegam a cerca de R$ 300 mil, além de quatro veículos utilizados pela organização.

Ao todo, estão sendo cumpridos sete mandados de prisão temporária e sete mandados de busca e apreensão nas cidades de Goiânia, Aparecida de Goiânia, Caturaí e Senador Canedo. As investigações são conduzidas pela Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic), por meio do Grupo Especial de Repressão a Estelionatos (Gref).

A nomenclatura da operação, “Dominus Fictus”, que significa “Patrão fictício” ou “Chefe simulado”, traduz a dinâmica do golpe. Os criminosos criavam perfis falsos no WhatsApp para se passar pelos verdadeiros gestores das empresas alvo.

O grupo escolhia as vítimas após um cuidadoso mapeamento da rotina corporativa. Aproveitando momentos de vulnerabilidade organizacional, os suspeitos personificavam sócios e diretores, utilizando fotos reais e adotando uma linguagem típica do ambiente de negócios para enganar funcionários.

Convencidos da urgência da situação, os profissionais dos departamentos financeiros eram induzidos a realizar transferências vultosas para contas bancárias controladas por “laranjas” ou pertencentes a empresas de fachada. O que poderia ser interpretado como um crime isolado, no entanto, revelou a existência de uma estrutura criminosa bem organizada.

A polícia identificou que a associação era dividida em três núcleos distintos e interconectados: o Operacional/Cibernético, responsável pela abordagem virtual; o Logístico/Administrativo, que dava suporte à estrutura do golpe; e o Financeiro/Patrimonial, encarregado de movimentar e ocultar os valores desviados.

Os lucros obtidos de forma ilícita sustinham um padrão de vida elevado para os envolvidos. Um dos alvos da operação, por exemplo, reside em um condomínio horizontal de alto padrão na capital. A suspeita da autoridade policial é de que o imóvel tenha sido adquirido com recursos provenientes das fraudes.

A investigação também apontou movimentações financeiras incompatíveis com os rendimentos declarados pelos suspeitos. Dados obtidos pela polícia revelam que uma das empresas de fachada utilizada pela organização criminosa chegou a movimentar mais de R$ 1,3 milhão em um intervalo de apenas cinco meses. Em outro caso, uma operadora do núcleo financeiro do grupo registrou em sua conta pessoal uma movimentação que ultrapassou R$ 1,6 milhão.

Durante a operação foram apreendidos objetos de valores, como relógios e veículos, além de armas de fogo.

Os nomes dos investigados e das empresas envolvidas não foram divulgados para não prejudicar o andamento das investigações.

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