Hoje é 23 de setembro de 2026 18:37

‘Chegou a hora de colher’, diz Mendanha sobre reta final da campanha ao Senado

Candidato fala sobre enfrentamento ao STF, apoio de aliados, gestão em Aparecida e propostas para atuar em prol dos municípios no Senado
Gustavo Mendanha durante entrevista ao portal Notícias Goiás em que fala sobre a reta final da campanha ao Senado e suas propostas para Goiás e para o Brasil // Fotos: Vinícius Oliveira

Gustavo Mendanha (PRD) entra na reta final da campanha ao Senado defendendo uma atuação marcada pelo enfrentamento ao que considera desequilíbrios entre os Poderes do país e pela proximidade com os municípios. Ex-prefeito de Aparecida de Goiânia, ele afirma que pretende levar ao Congresso a experiência acumulada na gestão pública e atuar em pautas como saúde, infraestrutura, mobilidade e energia elétrica.

Em entrevista ao Notícias Goiás, o candidato também fala sobre sua relação com o eleitorado de direita, as alianças construídas durante a campanha e os apoios recebidos na reta final. Mendanha avalia ainda as gestões de Leandro Vilela, em Aparecida, e Sandro Mabel, em Goiânia, além de comentar a saída do MDB, a filiação ao PRD e o ambiente político em torno da candidatura de Gracinha Caiado.

Notícias Goiás: Qual é a sua avaliação sobre este momento final da campanha ao Senado?

Gustavo Mendanha: Estou muito tranquilo, até pelo histórico e pelo trabalho que realizamos. Fui praticamente o último candidato a entrar no jogo, mas tenho um histórico de lutas e de ter sido o prefeito mais bem votado da história do país. As pessoas sabem que sou um político de resultados, e isso facilita a apresentação do meu nome. A última eleição foi um tempo de plantar e, como diz a sabedoria de Salomão, há tempo de plantar e tempo de colher. Chegou a hora de colher.

Quais são suas prioridades de enfrentamento e atuação no Congresso?

O Brasil exige coragem para fazer os enfrentamentos necessários diante do desequilíbrio entre os Poderes e da perda de credibilidade das instituições. O primeiro passo é o resgate dessa harmonia. Por isso, assinei, ao lado do deputado Gustavo Gayer, o compromisso proposto por Deltan Dallagnol para, caso eleito, assinar o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes.

Existe uma dobradinha entre sua candidatura e a do deputado Gustavo Gayer? E como seu posicionamento se alinha ao eleitorado de direita em Goiás?

Não existe uma parceria formal com o Gayer. O que há é uma grande convergência de apoiadores que se identificam com nós dois. Sou um político de direita e liberal de conceito. Nas últimas eleições estaduais, apoiei o presidente Bolsonaro nos dois turnos e fui o único candidato a governador derrotado que se engajou diretamente na campanha dele. Hoje apoio o governador Ronaldo Caiado para a Presidência, mas, caso ele não avance ao segundo turno, estarei com Flávio Bolsonaro. As pessoas reconhecem essa identidade.

‘Defendo mandatos de 12 anos para ministros do STF’

NG: Qual é sua avaliação sobre a atual bancada goiana no Senado e a condução dos trabalhos na Casa?

Do ponto de vista de recursos e emendas, os senadores têm trabalhado. Porém, quanto ao desequilíbrio entre os Poderes, vejo pouca atitude. Falta enfrentamento, inclusive em relação à presidência do Senado, que não atende ao clamor dos parlamentares. O resultado é a perda de credibilidade das instituições, gerada pela atuação de alguns ministros do STF que envergonham o país.

Que medidas defende para o Judiciário e o STF?

Precisamos reformar o Código de Ética dos ministros e acabar com posturas partidárias dentro dos tribunais. Defendo a instituição de mandatos de 12 anos para ministros do STF. Não podemos aceitar uma Justiça com dois pesos e duas medidas, onde ex-governadores ou figuras políticas atuam como magistrados mantendo vínculos partidários. É preciso garantir o mesmo peso da lei para todos.

Gustavo Mendanha: “Vou atuar muito próximo da população, mantendo um diálogo direto pelas redes sociais e visitando as cidades”

Como estão a articulação e a formação de alianças no Entorno do Distrito Federal?

Temos feito um trabalho maravilhoso no Entorno, sob a liderança de nomes como os prefeitos Diego Sorgato e Carlinhos Mangão. A energia lá é incrível, com o apoio de quase 150 vereadores, ex-prefeitos, ex-deputados e líderes religiosos. A expectativa é grande para renovar dois terços do Senado, transformando uma Casa hoje apática em um espaço de equilíbrio institucional e voz para o povo goiano.

O eleitor costuma ver o senador como uma figura distante do cotidiano. Como pretende atuar de forma mais próxima dos municípios?

Não vou mudar minha forma de ser. Sou alguém que frequenta feira, vai ao supermercado e vive o dia a dia das pessoas. Sei da dificuldade com a inflação e defendo, por exemplo, a redução de impostos da cesta básica. Vou atuar muito próximo da população, mantendo um diálogo direto pelas redes sociais e visitando as cidades para entender as demandas reais e fazer um trabalho exitoso como fiz em Aparecida.

Quais são as principais demandas trazidas pelo eleitorado e quais áreas terão prioridade no Congresso?

A cobrança por enfrentamento e firmeza em relação ao STF é recorrente. Mas há também pautas regionais urgentes. No Entorno de Brasília, o maior desafio é a mobilidade urbana, com trabalhadores gastando horas no trânsito. Isso exige integração entre os governos de Goiás e do Distrito Federal, além de investimentos em infraestrutura e geração de empregos. A saúde pública também precisa avançar para que as pessoas não tenham que se deslocar centenas de quilômetros por tratamento. Outro ponto crítico é a energia elétrica. A Equatorial não tem atendido as demandas da construção civil e das indústrias, travando o desenvolvimento. Serão lutas prioritárias do nosso mandato no Senado.

Importantes líderes vão declarar apoio a nosso projeto’

NG: Como se deu a adesão do advogado Thales Jayme e o eleitor pode esperar novas manifestações de apoio?

O apoio nasceu de amizades e relações em comum. Ele me convidou para uma reunião onde esperava poucas pessoas, mas me deparei com mais de cem lideranças, entre advogados, magistrados, promotores e parlamentares. Fiquei honrado com o gesto e retribuirei com a mesma dedicação às pautas em que acreditamos para mudar o país. Teremos novidades nesta semana. Importantes líderes do Estado, com e sem mandato, farão o mesmo movimento do Thales Jayme e declararão apoio ao nosso projeto ao Senado.

Como você avalia a estratégia de pedir o segundo voto para o Senado?

É natural os candidatos pedirem o primeiro e o segundo voto, e eu tenho feito isso. Mas meu objetivo é ser o senador do coração das pessoas, independentemente de ser a primeira ou a segunda opção. Quando assumi a Prefeitura de Aparecida de Goiânia, busquei fazer uma política humana e diferente do tradicional. Vou pedir o voto, mas trabalhando para construir essa conexão verdadeira com a população

Candidato elogia gestões de Leandro Vilela e Sandro Mabel

NG: Como você avalia a gestão do prefeito Leandro Vilela em Aparecida de Goiânia?

O Leandro tem feito um excelente trabalho. Ele assumiu o município em um cenário fiscal difícil, com quase R$ 500 milhões em dívidas, mas conseguiu sanar grande parte dos débitos e devolver a cidade ao patamar Capag A. Essa organização financeira permitiu buscar recursos para pavimentar todas as ruas habitadas da cidade, algo que a população reconhece.

Sobre a política local em Aparecida, qual será sua postura em relação à disputa pela presidência da Câmara Municipal?

O Gilsão é um grande amigo e parceiro, mas a eleição da Câmara ocorre em outro momento. O foco total agora é vencer a disputa ao Senado. O eleitor de Goiás tem a oportunidade de escolher um senador que conhece a realidade dos municípios, vivenciou as dificuldades da gestão pública e está pronto para fazer os enfrentamentos que o Estado e o Brasil precisam.

Como você avalia o início da gestão do prefeito Sandro Mabel em Goiânia e de que forma seu eventual mandato poderá contribuir com a capital e a Região Metropolitana?

O Sandro é um grande amigo e um dos gestores mais preparados do nosso Estado. Ele assumiu a prefeitura em uma situação crítica, cheia de dívidas e desafios. O começo foi duro e exigiu decisões impopulares, mas a percepção da população já mudou e a imagem dele está muito forte e consolidada. Acredito que ele fará uma excelente administração na capital. Pretendo atuar de forma parceira, destravando projetos estratégicos e destinando emendas parlamentares não apenas para Goiânia, mas para toda a Região Metropolitana. O desenvolvimento precisa de integração, harmonia e responsabilidade para melhorar a qualidade de vida das pessoas.

“Meu foco absoluto é chegar ao Senado Federal para representar o povo de Goiás e colaborar com a gestão do Daniel no governo estadual”

Quais são suas aspirações políticas para o futuro e qual é sua prioridade neste momento?

Meu foco absoluto é chegar ao Senado Federal para representar o povo de Goiás e colaborar com a gestão do Daniel no governo estadual. Sou jovem, tenho muita energia e quero dedicar os próximos oito anos a um trabalho intenso em favor das nossas cidades e do nosso Estado.

Relação com Gracinha Caiado: ‘Da minha parte não há qualquer atrito’

NG: Como está a relação e o ambiente político com a candidatura de Gracinha Caiado?

Tenho um grande respeito pelo governador Ronaldo Caiado e pela Gracinha. Tenho experiência de acompanhar eleições desde a infância ao lado do meu pai e sei que em campanha tudo pode acontecer. Algumas situações das quais nem eu nem minha equipe tivemos participação a deixaram chateada, o que compreendo. Imagino que seja a ansiedade natural de quem disputa uma eleição majoritária pela primeira vez. Isso gerou um ruído ruim para o nosso grupo porque acaba tirando o foco do principal, que é a eleição do Daniel.

Vocês chegaram a conversar diretamente sobre esses episódios? Existe um direcionamento para que raramente apareçam juntos nos mesmos eventos?

Não, não voltamos a conversar desde então. Acredito que dividir a presença nos eventos é a melhor estratégia para ampliar o alcance e favorecer o Daniel. Onde quer que eu vá, levo o nome dele, em quem confio e tenho enorme carinho. Da minha parte não há qualquer atrito. Sempre fiz campanhas propositivas e sem ataques pessoais. Na política é preciso ter maturidade para não levar divergências para o lado pessoal, e sigo com a mente focada em apresentar propostas para Goiás.

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