O ex-deputado estadual Henrique Arantes (PSDB) anunciou neste domingo (27/9) o rompimento com o candidato a deputado federal Felipe Cecílio (PSDB) e fez uma série de acusações contra o correligionário. Segundo Henrique, o apoio foi encerrado após o candidato, na avaliação do ex-deputado, deixar de cumprir compromissos assumidos com lideranças políticas de mais de 60 municípios que integravam sua base eleitoral.
Henrique afirmou que decidiu retirar sua candidatura à Câmara dos Deputados e apoiar Cecílio depois de receber a garantia de que as bases eleitorais seriam incorporadas e de que compromissos anteriormente estabelecidos com lideranças e municípios seriam assumidos pelo novo candidato.
Na manifestação que marcou o rompimento, o ex-deputado afirmou que Felipe teria alterado por algumas vezes as datas previstas para pagamentos e, posteriormente, deixado de responder a ligações e mensagens. Henrique classificou a conduta como a de um “caloteiro” e “estelionatário”.
“Alterou a data de pagamento por algumas vezes e, por fim, está há dias sem responder ligação nem mensagem, agindo como se comporta um caloteiro, um estelionatário”, afirmou Henrique à imprensa.
O ex-deputado também fez críticas à conduta pessoal e política de Cecílio. Segundo ele, o candidato “não tem palavra, honra, nem ética” para conduzir os compromissos assumidos com lideranças que anteriormente acompanhavam sua candidatura.
“Por isso declaro o rompimento com Felipe Cecílio, que não tem palavra, honra, nem ética para cuidar dos compromissos com líderes em mais de 60 municípios”, disse.
Henrique disse ainda que a ruptura não representa apenas uma decisão individual, mas envolve parte do grupo político que havia sido mobilizado para apoiar Cecílio após sua desistência da disputa. Segundo ele, lideranças que o acompanhavam há anos também teriam sido afetadas pelo impasse.
Apoio foi anunciado após desistência
A aliança entre Henrique Arantes e Felipe Cecílio havia sido anunciada poucos dias antes do rompimento. Henrique retirou sua candidatura a deputado federal e passou a apoiar o correligionário, levando para a campanha parte das articulações construídas durante sua trajetória política. Na ocasião, Cecílio anunciou o apoio de Henrique e de outras lideranças ligadas ao grupo do ex-deputado.
Henrique afirma que a decisão de abandonar a disputa ocorreu porque Felipe teria concordado em absorver seus colégios eleitorais e assumir compromissos já estabelecidos com as respectivas lideranças.
“Eu, Henrique Arantes, renunciei à disputa de deputado federal e decidi apoiar o Felipe Cecílio porque ele se comprometeu a absorver todos os meus colégios, assumindo os compromissos financeiros feitos com cada liderança e cada município”, afirmou na ocasião.
Na manifestação, Henrique também citou a trajetória familiar de Felipe Cecílio como um dos elementos considerados quando decidiu apoiá-lo. O ex-deputado mencionou Mauro Miranda e Jamel Cecílio, avós do candidato, e afirmou que ambos tiveram atuação relevante em Goiás.
Posteriormente, porém, Henrique passou a utilizar justamente essa referência familiar para reforçar suas críticas. “É lamentável ver um jovem jogando o nome de sua família na lama, trazendo vergonha à memória de seus avós”, declarou.
O ex-deputado também mencionou o patrimônio declarado por Felipe à Justiça Eleitoral, afirmando que o candidato teria informado possuir mais de R$ 86 milhões. Henrique utilizou o dado para questionar o fato de, segundo sua versão, compromissos assumidos com municípios não terem sido cumpridos. A cifra, porém, aparece na manifestação como argumento apresentado pelo próprio Henrique e não comprova, por si só, a existência ou o eventual descumprimento dos acordos citados.
As acusações feitas pelo ex-deputado não vieram acompanhadas, na manifestação divulgada, de documentos que comprovem os compromissos financeiros mencionados ou eventual inadimplência de Felipe Cecílio.
Cecílio contesta e fala em interesse financeiro
Após o rompimento, Felipe Cecílio apresentou uma versão diferente para a crise. O candidato afirmou à imprensa que, depois de receber o apoio de Henrique, teria identificado uma estrutura política que, segundo ele, estaria concentrada em interesses financeiros.
Cecílio disse que inicialmente concordou com a incorporação das bases eleitorais de Henrique, mas que posteriormente teria constatado uma realidade diferente da que esperava encontrar.
“O combinado ali, inicialmente, era realmente a gente fazer um acordo, que ele assumia e assumia as bases dele. Aí, depois que ele saiu e tudo mais, a gente foi ver: era tudo furada, não tinha voto, era todo mundo só querendo receber dinheiro”, afirmou.
O candidato também acusou Henrique de ter interesse exclusivamente financeiro e disse que decidiu desfazer os compromissos que haviam sido acertados.
“Eu desfiz todo acordo de compra de voto desse cidadão e agora ele está chiando porque não recebeu dinheiro da venda da candidatura dele”, declarou Cecílio à imprensa.
A acusação de compra de votos é feita por Cecílio como interpretação sobre os acordos que, segundo ele, estavam sendo apresentados pelo grupo de Henrique. Não há, no material divulgado, decisão judicial que estabeleça a ocorrência de compra de votos relacionada ao episódio.
Crise amplia tensão dentro do PSDB
O rompimento ocorre em um momento de sucessivos conflitos dentro da chapa do PSDB para deputado federal em Goiás. Além da saída de Henrique Arantes, Flávia Teles e Jeferson Rodrigues também deixaram a disputa e passaram a apoiar Felipe Cecílio, segundo registros divulgados durante a campanha.
A própria campanha de Cecílio já havia sido envolvida em outro confronto público dentro do partido. Na semana anterior, o candidato entrou em conflito com o deputado federal Professor Alcides, também candidato à reeleição pelo PSDB. Em 25 de setembro, o Tribunal Regional Eleitoral de Goiás determinou a retirada de um vídeo publicado por Cecílio que fazia acusações contra Alcides e proibiu a republicação do conteúdo.
O novo episódio, agora envolvendo Henrique Arantes, coloca em evidência uma disputa sobre a formação das bases eleitorais e os compromissos assumidos na transferência de apoio entre candidatos. De um lado, Henrique sustenta que abriu mão da própria candidatura confiando que os acordos seriam preservados. De outro, Cecílio afirma que encontrou uma estrutura que, segundo sua versão, estaria baseada em interesses financeiros e que decidiu romper com esses compromissos.
O rompimento, portanto, não se limita à retirada de um apoio político. Ele expõe uma divergência sobre a própria natureza do acordo que levou Henrique a abandonar a disputa pela Câmara e transferir sua estrutura eleitoral para Cecílio.
As acusações permanecem atribuídas aos envolvidos e, até o momento, as versões apresentadas publicamente não foram acompanhadas de documentação capaz de comprovar, de forma independente, as alegações feitas por qualquer dos dois lados.

