A entrada no mercado de trabalho continua sendo um desafio para a população jovem no Brasil. Mesmo com a redução do desemprego geral, as faixas etárias mais novas permanecem entre as mais atingidas pela falta de oportunidades. Nesse cenário, o Programa Jovem Aprendiz se tornou uma das alternativas para aproximar adolescentes e jovens do emprego formal, conciliando a atividade profissional com a formação.
Segundo dados citados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a taxa de desemprego entre pessoas de 18 a 24 anos é de 13,8%, mais que o dobro da média nacional de 5,8%. Entre os jovens de 14 a 24 anos, quase 20% não estudam nem trabalham.
O programa também alcançou em 2025 o maior número de contratações formais desde sua criação, há 25 anos, com 715 mil admissões de jovens entre 14 e 24 anos, conforme os dados apresentados no material. Goiás aparece entre os estados que mais contrataram trabalhadores nessa faixa etária. Atualmente, segundo a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Seds), cerca de 8,5 mil jovens estão ativos em programas de socioaprendizagem no Estado.
Além dos números, experiências dentro das empresas mostram como a aprendizagem pode servir de ponto de partida para diferentes caminhos profissionais. É o caso de Geovana Moreira Martins, de 19 anos, que há quase um ano começou a trabalhar na FGR Incorporações, em Aparecida de Goiânia.
Entre a faculdade e o trabalho
Estudante de Psicologia no período da manhã, Geovana trabalha à tarde. Ela começou no setor administrativo das obras do empreendimento Jardins Lyon, onde atuava na conferência de documentos, agendamento de exames admissionais e demissionais e elaboração de ofícios para instituições bancárias.
Atualmente, a jovem trabalha na sede da empresa, participando de atividades relacionadas à troca de cartões de ponto e à organização de documentos de rescisões trabalhistas.
Para Geovana, a adaptação ao ambiente profissional foi uma das primeiras etapas dessa experiência. Ela conta que chegou ao trabalho sem experiência anterior e que o contato com a rotina empresarial trouxe aprendizados sobre relacionamento interpessoal e comportamento profissional.
“Eu não tinha nenhuma experiência de trabalho, então para a gente que é jovem é bem mais difícil. Então, nesse sentido, acho que é um programa que acolhe os jovens mesmo”, afirma.
Ao longo dos meses, a convivência com profissionais de diferentes idades e áreas também passou a fazer parte do aprendizado.
“Aprendi a me relacionar melhor com as pessoas e como me portar no ambiente de trabalho. Numa empresa do tamanho da FGR, você tem gente de várias formações, várias idades, várias vivências”, relata.
De aprendiz a acionista
Na mesma empresa, a contadora Denise Rodrigues percorreu um caminho que começou há 15 anos. Em 2011, aos 16 anos, ela conseguiu o primeiro emprego por meio do Programa Jovem Aprendiz.
Sua função inicial era no arquivo, em um departamento responsável pela organização de documentos de diferentes áreas da empresa. A experiência acabou se transformando em uma carreira dentro da FGR.
Hoje, Denise é coordenadora contábil e recentemente passou a integrar o quadro de acionistas da incorporadora.
“Confesso que até me sinto emocionada ao falar dessa minha trajetória, e ver onde consegui chegar e o quanto ainda posso crescer”, afirma.
Ela lembra que os primeiros meses foram marcados por insegurança diante de uma realidade até então desconhecida. A convivência com colegas e o ambiente de trabalho, segundo Denise, contribuíram para que ganhasse confiança ao longo do tempo.
“O ambiente aqui sempre foi de muita educação, cordialidade e respeito por todos, independente de função ou hierarquia, e isso foi me deixando mais confortável e com confiança”, conta.
Empresa como espaço de formação
Para Rafael Carlos Gonçalves, especialista em gestão de pessoas e coordenador de Recursos Humanos da FGR Incorporações, a experiência profissional durante a juventude pode contribuir para a formação de competências que serão utilizadas posteriormente.
Segundo ele, o aprendiz passa a conhecer responsabilidades, processos e relações que fazem parte do cotidiano das empresas, além de desenvolver conhecimentos técnicos e comportamentais.
“Mais do que cumprir uma função social, o programa contribui para a construção de experiência, disciplina, aprendizado técnico e desenvolvimento comportamental, preparando esses jovens para os desafios da carreira e ampliando suas perspectivas profissionais”, afirma.
Na avaliação do coordenador, a política de Recursos Humanos da empresa procura oferecer aos aprendizes condições para que desenvolvam suas habilidades e compreendam o funcionamento do ambiente corporativo.
“Buscamos proporcionar um ambiente de aprendizado, acolhimento e desenvolvimento para esses jovens, onde eles possam se sentir parte da empresa, e se sintam seguros para desenvolver suas habilidades e construir sua trajetória profissional”, diz.
Com milhares de jovens inseridos em programas de aprendizagem no país e em Goiás, a iniciativa ocupa espaço relevante na transição entre a formação escolar e o mercado de trabalho. As histórias de Geovana e Denise mostram momentos diferentes desse processo: enquanto uma está construindo as primeiras referências profissionais, a outra transformou a experiência iniciada na adolescência em uma carreira de longo prazo.

