A influenciadora Karine Giselle Gouveia e seu marido, Paulo César Dias Gonçalves, foram indiciados por nove crimes relacionados a procedimentos estéticos realizados na clínica do casal em pacientes que sofreram mutilações. Segundo o delegado Daniel Oliveira, entre as acusações há lesão corporal gravíssima, decorrente de danos irreversíveis, como necrose e deformações.
Ainda de acordo com Oliveira, os indiciados enfrentam acusações de lesão corporal gravíssima, exercício ilegal da medicina, fraude processual, falsidade ideológica, falsificação, corrupção e adulteração de produto terapêutico, estelionato, propaganda enganosa e execução de serviço com alto grau de periculosidade.
O caso está sob investigação da Polícia Civil desde dezembro de 2024, após denúncias de pacientes que relataram terem sofrido lesões durante os procedimentos na clínica.
“As investigações comprovaram que a clínica KGG estética, comandada por Karine Gouveia e seu marido, apresentavam uma estrutura aparentemente profissional, mas funcionava como uma verdadeira organização criminosa voltada à prática sistemática de crimes com divisão de tarefas, hierarquia e finalidade econômica”, afirma o delegado.
Além das 30 vítimas diretas, segundo o delegado, há registro de ao menos 100 vítimas que serão ouvidas em um novo inquérito.

“Estima-se que cerca de 6 mil pessoas passaram por procedimentos estéticos na clínica entre 2018 e 2019, podendo estas pessoas estarem com óleo de silicone ou PMMA no corpo, substâncias com alto grau de risco e complicações”, informou Daniel.
Conforme o delegado, o casal Karine e Paulo comandava a estrutura da clínica e contava com a participação de médicos, dentistas, biomédicos, estoquistas e funcionários da logística para a prática dos crimes. Mais de 10 profissionais foram autuados no inquérito por realizarem procedimentos não autorizados.
Prisão, soltura e nova prisão
O casal foi preso, pela primeira vez, em dezembro de 2024. A 4ª Delegacia Distrital de Polícia de Goiânia, no Setor Bueno, cumpriu mandados de prisão, busca e apreensão em desfavor dos donos da clínica e de técnicos que atuavam no estabelecimento e que não tinham formação para realizar os procedimentos. Além da incapacidade profissional dos envolvidos, a investigação apontou que os materiais e produtos usados nos procedimentos eram inadequados.
A defesa do casal afirmou que a clínica possuía todos os documentos necessários para funcionar, que Karine e Paulo sempre praticaram os atos dentro do que determina a lei e que o local atendia a todos os padrões exigidos pela Vigilância Sanitária. A polícia rebateu a fala da defesa e afirmou que a clínica possuía um alvará para procedimentos apenas de classe estética, minimamente invasivos.

Mandados também foram cumpridos em Anápolis, a 55 km da capital, onde havia uma filial da clínica. Os envolvidos tiveram as contas bancárias, bens e valores bloqueados. No total, foram R$ 2,5 milhões apreendidos, além de um helicóptero avaliado em R$ 8 milhões.
No início de fevereiro, o casal foi solto por decisão da ministra Daniela Teixeira, do Superior Tribunal de Justiça, que considerou que seria “desproporcional” manter o casal preso.
No dia 12 de março, os donos da clínica foram presos preventivamente de novo, em razão de estar descumprimento as restrições impostas pela Justiça, inclusive praticando condutas criminosas já apontadas na investigação.