Hoje é 7 de março de 2026 11:23

Mabel anuncia demissão de 668 da Comurg e diz que empresa ‘tem jeito’

Prefeito aponta série de distorções e desorganização na gestão anterior da companhia, como falta de recolhimento de impostos e direitos trabalhistas
Corte de servidores, segundo o prefeito, garante economia de R$ 44 milhões ao ano: “Redução na folha é indispensável para que a Comurg volte a ser viável” // Fotos: Alex Malheiros/Comurg

O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (UB), autorizou o desligamento de 668 servidores aposentados que ainda permaneciam ativos na Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg). A decisão — aprovada nesta terça-feira (8/7) pelo Conselho de Administração e pela Diretoria da empresa — integra o plano de recuperação da companhia para “reduzir gastos com pessoal e corrigir distorções legais e financeiras”.

“A medida vai gerar uma economia de R$ 44 milhões por ano, contribuindo diretamente para o saneamento das contas da companhia”, declarou Mabel, em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (9/7) em que ele fez um balanço da situação da companhia.

Segundo ele, a empresa pública municipal acumula um passivo de aproximadamente R$ 3 bilhões, “sendo R$ 1,2 bilhão em ações trabalhistas”.

O prefeito ressaltou que o corte segue rigorosamente a decisão do STF (Tema 1022) que “veda a permanência de servidores aposentados após a reforma da Previdência de 2019”. Dos 668 desligados, 414 se aposentaram depois de 12 de novembro de 2019 — demissão obrigatória por força constitucional — e os outros 254, aposentados antes dessa data, serão dispensados por critérios de economicidade e reestruturação administrativa.

“Fizemos uma seleção e precisamos enxugar o quadro da companhia”, afirmou Mabel.

“A redução na folha é indispensável para que a Comurg volte a ser viável. Todos os direitos serão respeitados. Os desligados receberão as verbas rescisórias e continuarão com o plano de saúde do Imas por 12 meses”, afirmou.

Para amenizar o impacto, o prefeito garantiu que o município pagará “50% do que eles pagam” no plano de saúde durante esse período.

“Vamos mantê-los nesse período de 12 meses, inclusive pagando 50% do que eles pagam para ajudá-los nessa parte de saúde, e não simplesmente mandar embora e deixar que cada um se vire”, observou.

Mabel não descartou a volta de alguns servidores, dependendo da evolução financeira da Comurg. Ele disse esperar que, “a partir de outubro, a empresa já esteja estabilizada e deixe de depender financeiramente de repasses da prefeitura”.

Entre outras medidas, o prefeito citou a negociação do depósito do FGTS, não recolhido “desde 2022”.

“Para os que estão sendo demitidos, nós já depositamos. Desde que assumimos, depositamos todas as verbas, FGTS, INSS”, garantiu.

Aqui era um antro de corrupção’

Na mesma coletiva, Mabel denunciou irregularidades históricas na Comurg.

“Aqui era um antro de corrupção total”, disse, revelando que “os novos gestores foram ameaçados” por adotar medidas de controle.

Ele lembrou que, desde o início da gestão, a folha de pagamento da empresa foi reduzida em 27% e os cargos comissionados caíram de 532 para 102, queda superior a 80%. A estrutura administrativa também foi enxugada com cortes de chefias e diretorias.

“Mas temos, somente em ações trabalhistas, R$ 1,2 bilhão, além de mais de R$ 120 milhões em multas trabalhistas”, destacou.

“Fora precatórios que são ações que a empresa perdeu e temos que pagar todos os dias”.

Segundo Mabel, ex-dirigentes praticavam “rachadinha” — dividiam entre si altos valores indenizatórios — e “emitiam faturamento maior pelos serviços efetivamente prestados à prefeitura, para cobrir despesas extras”.

Para reverter o quadro, ele anunciou que a Comurg buscará novos contratos no setor público e privado, visando “autossuficiência financeira até outubro”. “Nosso plano é preparar a Comurg para competir em grandes licitações e, futuramente, até abrir capital”, adiantou.

O prefeito reconheceu falhas graves de gestão: “Houve perda de dados de contabilidade e desorganização administrativa. O que é desperdiçado por falta de controle é um absurdo. Precisamos ter cuidado com essas coisas.”

Mabel afirmou que já foram demitidos quase 1.700 servidores no total e que, com a reestruturação e “aquisição de mais equipamentos e melhor gerenciamento do pessoal”, “os serviços vão melhorar”. Ele também revelou redução de R$ 2 bilhões em impostos para cerca de R$ 370 milhões, embora ainda considere o valor “muito elevado”.

“Não dá para jogar fora uma empresa dessa, com todo histórico que ela tem, todo acervo. Então achamos que dá para fazer um negócio com ela que o município ganha.”

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