Hoje é 6 de março de 2026 16:55

Megaoperação mira esquema bilionário do PCC no setor de combustíveis

Força-tarefa do MP-SP, MPF e polícias Federal, Civil e Militar cumpre mandados em oito estados, incluindo Goiás, contra 350 alvos
Investigação aponta que rede ligada ao PCC adulterava combustíveis e lavava dinheiro com apoio de fintechs controladas pelo crime organizado // Fotos: Reprodução

Uma força-tarefa nacional com 1.400 agentes cumpre nesta quinta-feira (28/8) mandados de busca, apreensão e prisão em oito estados para desarticular um esquema criminoso bilionário no setor de combustíveis comandado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC). A megaoperação Carbono Oculto, considerada a maior da história contra o crime organizado no Brasil, investiga a sonegação de R$ 7,6 bilhões em impostos federais, estaduais e municipais.

As ações ocorrem em São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina, com alvos incluindo 300 postos de combustíveis envolvidos em adulterações. O esquema utilizava importação irregular de produtos químicos para falsificar combustíveis e operava por meio de 40 fundos de investimentos controlados pelo PCC, com patrimônio de R$ 30 bilhões.

A Polícia Federal deflagrou simultaneamente as operações Quasar e Tank, focadas em lavagem de dinheiro. “Entre as estratégias utilizadas estavam transações simuladas de compra e venda de ativos entre empresas do mesmo grupo, sem propósito econômico real”, informou a PF. A Justiça autorizou bloqueio de R$ 1,2 bilhão em bens e o sequestro de fundos de investimento.

No Paraná, a Operação Tank identificou lavagem de R$ 600 milhões e movimentação fraudulenta de R$ 23 bilhões através de centenas de empresas, incluindo postos com adulteração de gasolina e “bomba baixa”. Foram cumpridos 14 mandados de prisão e 42 de busca em três estados, com bloqueio de bens superior a R$ 1 bilhão.

As investigações revelaram que o PCC infiltrou-se no mercado financeiro da Avenida Faria Lima (SP), utilizando fundos para adquirir terminal portuário, usinas de álcool e imóveis. O grupo também praticava fraudes ambientais e econômicas, lesando consumidores e toda a cadeia de combustíveis. As principais empresas alvo são Grupo Aster/Copape, BK Bank e Reag.

As operações visam “desestruturar financeiramente as organizações criminosas, recuperar valores desviados e reforçar o combate à lavagem de dinheiro”, conforme destacou a Polícia Federal. As investigações continuam para expandir a responsabilização dos envolvidos em outros estados.

Como funcionava o esquema

De acordo com as investigações, um dos principais eixos da fraude consistia na importação irregular de metanol. O solvente, altamente inflamável e tóxico, chegava ao país pelo Porto de Paranaguá, no Paraná, mas não era entregue aos destinatários indicados na documentação.

Em vez de seguir seu curso legal, a carga era desviada e transportada de forma clandestina. Essa operação utilizava documentação fraudulenta e descumpria normas de segurança elementares, criando um risco iminente para motoristas, pedestres e para o meio ambiente.

O metanol era então direcionado a postos de gasolina e distribuidoras associadas à organização criminosa, onde era utilizado para adulterar combustíveis. Essa prática rendia lucros bilionários ao grupo por meio de dois tipos de fraude: a quantitativa, na qual o consumidor pagava por um volume de combustível maior do que o que efetivamente recebia das bombas, e a qualitativa, na qual o combustível era alterado e vendido fora das especificações técnicas exigidas pela ANP.

O esquema também se sustentava por meio de coerção e violência. Proprietários de postos que venderam seus estabelecimentos para a rede criminosa não receberam os valores combinados pela transação e, além disso, foram alvo de ameaças de morte caso tentassem cobrar o que lhes era devido.

Os investigadores do Ministério Público de São Paulo explicam que os produtos e lucros dessas infrações penais e econômicas eram reintegrados ao sistema por meio de uma complexa rede de laranjas. Essa estrutura foi criada para ocultar os verdadeiros beneficiários finais por trás de múltiplas camadas societárias e financeiras, envolvendo especialmente empresas de fachada, fundos de investimento e instituições de pagamento.

Os procuradores completam que uma parte substancial desses recursos, que não possuíam lastro legal, foi utilizada para financiar a aquisição de usinas sucroalcooleiras. Esse movimento permitiu que o grupo potencializasse sua atuação e integrasse verticalmente sua operação, absorvendo distribuidoras, transportadoras e postos de combustível em sua estrutura criminosa.

Quer receber nossas notícias em seu whatsapp?

Compartilhar em:

Notícias em alta