Hoje é 29 de fevereiro de 2024 02:15
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Naiara Azevedo revela detalhes da violência patrimonial sofrida pelo ex-marido

Em trecho de entrevista à programa televisivo neste domingo a cantora disse que ganhava cerca de R$ 1 mil reais por mês em ano que teve faturamento de R$ 7 milhões com shows
A cantora registrou queixa contra as práticas de constrangimento ilegal, lesão corporal, injúria, ameaça, apropriação indébita e violência patrimonial contra o ex-marido semana passada // Reprodução TV Globo

A cantora de sertanejo Naiara Azevedo concedeu entrevista exclusiva ao Fantástico na edição de ontem para falar dos episódios recentes relacionados ao seu ex-marido e ex-empresário Rafael Cabral.

A entrevista, que foi conduzida pela repórter da TV Anhanguera, Giovanna Dourado, e teve duração média de 9 minutos, começou com a cantora paranaense lamentando o fato de estar na situação de expor sua vida e intimidade em um programa de alcance internacional. “Eu nunca queria ter chegado ao ponto de ter essa entrevista com você. De ter chegado a esse assunto. Eu sempre fui extremamente discreta com a minha vida pessoal”.

Dona do hit ‘50 reais’, que tem mais de 370 milhões de visualizações em plataformas revelou detalhes das violências física e patrimonial que sofreu dentro do relacionamento de 10 anos que teve com o ex-marido, Rafael Cabral, de quem é sócia na gestão de sua carreira e seus bens enquanto cantora sertaneja.

“Quando eu estava saindo de viagem meus funcionários foram carregar minha carreta e meu ônibus e foi quando dada uma ordem que não poderiam usar os materiais caso eu não pagasse o aluguel por tudo aquilo. Mas por que eu tenho que pagar aluguel de algo que é meu?”, revelou a cantora se referindo a um show que faria neste sábado no Mato Grosso Sul e que foi cancelado devido ao episódio conflituoso.

O divórcio entre Naiara Azevedo com Rafael Cabral foi oficializado pela justiça em outubro de 2021. De lá para cá eles ainda mantiveram um relacionamento profissional por conta da sociedade na gestão da sua carreira. Entretanto na madrugada da última quinta-feira (30/11) a cantora procurou a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher de Goiânia onde registrou queixa contra as práticas de constrangimento ilegal, lesão corporal, injúria, ameaça, apropriação indébita e violência patrimonial que vem sofrendo do ex-marido. Em resumo, ele negou todas as acusações contra si.

“Até então eu já havia sofrido violência física, moral e psicológica. Mas a violência patrimonial foi o meu gatilho, foi onde eu entendi que estava sendo impedida de trabalhar”, destacou Naiara. Durante a reportagem ao Fantástico foi exibido um vídeo em que ela discute com o ex-marido e que ele desfere um tapa no celular para interromper a gravação.

De acordo com defesa da cantora, esse vídeo e fotos de hematomas em diferentes partes do corpo da cantora foram anexados na ocorrência policial feita contra Rafael Cabral, que apresentou sua versão dos fatos à reportagem. “Não entendi essa denúncia. Não entendi essa narrativa. Eu fui pego totalmente de surpresa com isso. Estou decepcionado com todo o ocorrido. Não tinha necessidade disso. Sempre me coloquei à disposição. Já temos tudo levantado para que nossos advogados possam discutir a partilha de bens. Eu abro mão de 100% de tudo, não tenho interesse”, disse o ex-empresário da cantora.

“Eu entreguei minha vida na mão do meu ex-marido e eu estou pagando por isso hoje”

Em junho de 2021, a ex-participante do Big Brother Brasil 2022 da TV Globo, que protagonizou uma campanha de combate a violência contra a mulher, revelou que Rafael controlava todo o dinheiro ganho pelo casal. “Em 2016 e 2017 quando tive os maiores faturamentos da minha carreira, entre R$ 4 e R$ 7 milhões, sabe quanto que eu pegava por mês? R$ 1 mil reais. E quando eu falava que queria um cartão, que queria um dinheiro, ele dizia: ‘você quer dinheiro para quê? Você tem tudo. As roupas que você usa, o projeto paga. Sua casa, estamos pagando. Seu carro, estamos pagando. Sua dispensa está cheia. R$ 1 reais não dá pra você viver?’. Eu não tenho acesso a nada, eu nunca tive acesso a nada”, desabafou a cantora que era casada no regime de comunhão parcial de bens. 

A defesa de Naira apresentou notas fiscais do ano de 2023 emitidas pelo CNPJ que leva o seu nome, que somam de janeiro a dezembro que somam mais de R$ 17 milhões de reais. 

“Em todo esse tempo [desde o divórcio em 2021] eu venho tentando fazer a partilha de bens e nunca aconteceu. Sempre houve uma luta. Eu só quero o que é meu, o que eu trabalhei para ter. Eu não quero uma gota de suor do trabalho do meu ex-marido. Eu não estou aqui para tirar o mérito de ninguém. Ele trabalhou sim, trabalhou muito. E ele merece ter direito dos 50% dele. E eu dos meus 50%. Só quero clareza diante do meu trabalho, do meu suor e da minha luta”, reforçou.

As advogadas que defendem o caso conseguiram anular uma procuração que Rafael Cabral tinha para controlar as contas bancárias da ex-BBB, porém dias antes houve um saque de R$ 205 mil reais. “Quero deixar uma mensagem para todos vocês. Não entreguem a sua vida, por mais que você ame e confie em alguém, nas mãos de ninguém. Eu entreguei minha vida na mão do meu ex-marido e eu estou pagando por isso hoje”, ponderou.

A Lei Maria da Pena, vigente no Brasil há 17 anos, destaca em seu artigo 7º, a violência patrimonial como uma modalidade de violência traduzida em comportamentos que impactam diretamente os bens ou a capacidade de controle sobre os bens de um indivíduo. A lei é clara sobre os tipos de ação que configuram esse tipo de violência: “qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores ou direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades”.

A defensora pública de Goiás, Tatiana Bronzato, exemplificou na matéria os atos condenáveis pela lei. “Quebrar o celular. Quebra os pertences pessoais como forma de chantagear uma mulher. Quebrar as joias. Rasgar as roupas, o que é comum em um cenário de ciúme excessivo. Subtrair bens de instrumentos de trabalho específicos. Tudo aquilo que é comum no âmbito de um relacionamento abusivo e marcado por violências, típicos da manipulação psicológica que ocorrem nesses casos”, destacou.

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