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Obra de Domingos Vellasco retorna às livrarias com curadoria de Einstein Paniago

Publicado originalmente em 1960, o livro ‘Nova China’ ganha nova edição pela Fundação João Mangabeira e resgata uma das mais importantes análises brasileiras sobre a transformação do país asiático
A reedição integra a Coleção Equidade e Liberdade, projeto editorial criado para recuperar livros que exerceram influência na formação do pensamento político brasileiro, mas que, ao longo do tempo, tornaram-se de difícil acesso ao público // Foto: Divulgação

Mais de seis décadas após sua primeira publicação, o livro Nova China, escrito pelo ex-senador goiano Domingos Netto de Vellasco, volta a circular em nova edição coordenada pelo professor, pesquisador e economista Einstein Paniago. Publicada originalmente em 1960 e há muitos anos fora de catálogo, a obra passa a integrar a Coleção Equidade e Liberdade, da Fundação João Mangabeira, iniciativa dedicada ao resgate de títulos fundamentais para a compreensão da formação política e democrática brasileira.

O relançamento foi realizado no Instituto Histórico e Geográfico de Goiás (IHGG), em Goiânia, reunindo pesquisadores, autoridades, representantes do setor produtivo e da comunidade acadêmica. Mais do que recuperar uma publicação histórica, a nova edição busca recolocar em circulação uma reflexão construída em um dos períodos mais decisivos da história contemporânea, quando a China iniciava profundas transformações políticas, econômicas e sociais que moldariam sua posição no cenário internacional.

Responsável pela curadoria editorial da obra, Einstein Paniago destaca que o projeto representa um esforço de preservação da memória intelectual brasileira e de valorização de um dos mais importantes pensadores goianos do século XX.

“Mais do que reeditar um livro, estamos recuperando uma parte importante da memória política de Goiás. Domingos Vellasco foi um homem à frente do seu tempo, e Nova China revela um olhar equilibrado sobre um período marcante da história mundial”, afirmou.

Segundo o professor, a atualidade do livro é um dos fatores que justificaram sua republicação. Embora escrito há mais de 60 anos, o conteúdo oferece elementos que ajudam a compreender o protagonismo alcançado pela China nas relações econômicas internacionais e seu papel crescente na geopolítica global.

“O livro envelheceu apenas cronologicamente. O olhar de Domingos Vellasco continua extremamente atual porque registra, com independência intelectual, um momento decisivo da transformação da China”, observou.

Um olhar brasileiro sobre uma transformação histórica

Resultado de uma viagem realizada poucos anos após a Revolução Chinesa de 1949, Nova China reúne impressões e análises produzidas por Domingos Vellasco durante sua passagem pelo país asiático. Ao longo da obra, o autor relata encontros com lideranças chinesas, entre elas Mao Tsé-Tung, além de examinar temas como planejamento econômico, reforma agrária, cooperativismo, industrialização, combate à fome e reorganização do Estado.

Escrito em um contexto marcado pelas disputas ideológicas da Guerra Fria, o livro procura escapar das leituras simplificadas que dividiam o mundo entre blocos antagônicos. Em um de seus trechos mais conhecidos, Vellasco afirma que a China “não é nem o paraíso, nem o inferno”, defendendo que qualquer avaliação deveria partir da observação direta dos fatos e não de posições previamente estabelecidas.

Ao registrar também sua admiração pelas instituições democráticas norte-americanas, o autor evidencia uma postura intelectual independente, característica que, segundo Paniago, mantém a obra relevante para os debates contemporâneos.

Para o pesquisador, compreender o desenvolvimento da China exige conhecer os processos históricos que antecederam sua ascensão econômica e diplomática.

“As relações econômicas são resultado de processos históricos. Conhecer a formação da China amplia nossa capacidade de compreender a parceria que o país mantém hoje com o Brasil e com Goiás”, destacou.

Memória política e novas gerações

A reedição integra a Coleção Equidade e Liberdade, projeto editorial criado para recuperar livros que exerceram influência na formação do pensamento político brasileiro, mas que, ao longo do tempo, tornaram-se de difícil acesso ao público.

Na avaliação de Einstein Paniago, o legado intelectual de Domingos Vellasco ainda permanece pouco conhecido fora dos círculos acadêmicos, apesar da relevância de sua trajetória como fundador do Partido Socialista Brasileiro (PSB), parlamentar e pensador dedicado às grandes transformações políticas do século XX.

Editor da nova edição, Sandro Bello afirma que o projeto nasceu justamente da necessidade de preservar esse patrimônio intelectual.

“Apresentei o projeto ao professor Einstein Paniago porque sabia do seu compromisso com a preservação da memória política e intelectual de Goiás. Ele compreendeu imediatamente a importância de reeditar Nova China e assumiu a curadoria da obra com o cuidado necessário para garantir que esse importante legado de Domingos Vellasco voltasse a circular”, afirmou.

Segundo Bello, a publicação representa uma oportunidade de aproximar novos leitores de uma produção intelectual que dialoga não apenas com a história brasileira, mas também com os desafios contemporâneos da economia internacional, das relações diplomáticas e da formação das instituições democráticas.

Para Paniago, iniciativas como essa contribuem para fortalecer a preservação da memória política nacional e ampliar o repertório histórico das novas gerações. A expectativa da Fundação João Mangabeira é ampliar a Coleção Equidade e Liberdade com a republicação de outros autores brasileiros que marcaram o pensamento político e social do país, consolidando um trabalho permanente de valorização da produção intelectual e de estímulo ao debate democrático.

Foto: Divulgação

O evento reuniu o presidente do IHGG, Jales Mendonça; a ex-ministra da Casa Civil Erenice Alves Guerra; o subsecretário estadual de Indústria e Comércio, Danilo Arraes; o professor da UFG, Rildo Bento; o escritor Rômulo Vaz; o advogado Ezizio Barbosa; o presidente da Associação dos Bancos (ASBAN), Mário Queiroz; o ex-deputado federal Domingos Leonelli Netto, além de empresários, representantes do setor produtivo e integrantes da comunidade acadêmica.

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