Uma ampla mobilização internacional de ajuda humanitária e resgate foi iniciada nesta quinta-feira para socorrer a Venezuela, devastada por dois violentos terremotos nesta quarta-feira (24/6). A presidente interina do país, Delcy Rodríguez, confirmou até o momento 164 mortos e 971 feridos na tragédia. Os dois tremores principais, de magnitude 7,5 e 7,2, cujos epicentros registraram apenas 5 km de distância na costa norte, colapsaram dezenas de edifícios e já são considerados os piores abalos a atingirem a nação nos últimos 100 anos.
Diante do cenário devastador, o governo venezuelano decretou estado de emergência e determinou o fechamento do principal aeroporto do país para priorizar o atendimento à crise. As buscas por sobreviventes avançam sem trégua, conduzidas por mais de 500 equipes de emergência concentradas em retirar vítimas presas nos escombros. Embora as projeções iniciais do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) alertem de forma preliminar que o total de mortes possa atingir escalas catastróficas em cenários extremos, o foco absoluto das autoridades locais permanece no salvamento imediato.
“É provável que haja um alto número de vítimas e danos extensos e que o desastre seja generalizado.”

Em pronunciamento oficial à nação, a presidente interina Delcy Rodríguez ressaltou que o estado litorâneo de La Guaira foi o mais severamente atingido pela catástrofe sismológica.
“É uma verdadeira tragédia.”
A gravidade da situação gerou uma resposta imediata de diversos países, que prontamente mobilizaram contingentes especializados para dar suporte às complexas operações de busca e salvamento. Grupos de socorristas enviados por nações como México, Estados Unidos, França, Equador, República Dominicana e El Salvador têm desembarque previsto na capital venezuelana ainda nesta quinta-feira. Adicionalmente, a Suíça anunciou o envio urgente de uma equipe composta por 80 especialistas, os quais atuam junto a oito cães farejadores e 18 toneladas de equipamentos de alta tecnologia para resgate estrutural.
Na Europa, governos estruturaram forças de apoio logístico para o país afetado. A Alemanha disponibilizou até seis aeronaves militares voltadas para missões de suporte humanitário, enquanto a Espanha preparou um contingente de 54 especialistas da Unidade Militar de Emergências, aguardando a anuência de Caracas para iniciar o deslocamento. A Itália e o Catar também se posicionaram formalmente para o fornecimento de ajuda logística e insumos de primeiros socorros, ao passo que a China declarou que oferecerá toda a assistência necessária em conformidade com as diretrizes locais.
O Brasil colocou sua estrutura oficial à disposição para colaborar com o país vizinho. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva instruiu o Ministério das Relações Exteriores e a Embaixada do Brasil em Caracas a avaliarem com celeridade as demandas mais urgentes para definir a cooperação assistencial. Paralelamente, o Itamaraty informou que, até o presente momento, não há registro de cidadãos brasileiros entre as vítimas dos dois tremores principais, que chegaram a ser sentidos de forma leve em localidades do norte do Brasil e da Colômbia.
Fundo de reconstrução e ações de emergência
Para mitigar a destruição material e restabelecer os serviços básicos nas cidades severamente impactadas, a Venezuela anunciou a criação imediata de um fundo emergencial de reconstrução. De acordo com o governo, a reserva contará com recursos na ordem de US$ 200 milhões de dólares (cerca de R$ 1 bilhão de reais), provenientes de alocações vinculadas ao Fundo Monetário Internacional (FMI), direcionados de forma integral à recuperação da infraestrutura nacional e habitações colapsadas.
No âmbito civil e institucional, novos desdobramentos operacionais foram registrados para facilitar a gestão da crise. Após a emissão de um alerta de tsunami que não se confirmou nas horas seguintes aos tremores, o monitoramento costeiro foi normalizado.
Em paralelo, a missão de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) na Venezuela formalizou uma solicitação ao governo local para que suspenda em caráter emergencial as restrições vigentes às redes sociais, visando otimizar o fluxo de informações, a localização de familiares e a coordenação civil durante os resgates.

