Hoje é 6 de março de 2026 09:17

PCGO cumpre 47 mandados em seis estados contra golpe do novo número

Ação é resultado de investigações iniciadas após um caso de estelionato contra uma idosa de Aparecida de Goiânia que perdeu R$ 120 mil com o golpe
Operação, que está na terceira fase, é um desdobramento de investigações que já identificaram 157 ocorrências entre 2021 e 2024 // Fotos: PCGO

A Polícia Civil de Goiás deflagrou nesta quinta-feira (14/8) a Operação Mirum III para desarticular uma associação criminosa especializada em fraudes eletrônicas em grande escala. Foram cumpridos 47 mandados, sendo 23 de prisão temporária e 24 de busca e apreensão, em seis estados: Distrito Federal, Goiás, Pará, Maranhão, Santa Catarina e Tocantins. A ação, que também bloqueou bens no valor de R$ 120 mil, contou com apoio do Ministério da Justiça e Segurança Pública e das polícias civis dos estados envolvidos.

A investigação, conduzida pelo Grupo de Repressão a Estelionato e Outras Fraudes, da Delegacia Estadual de Investigações Criminais, teve início em 2021 após uma idosa de Aparecida de Goiânia perder R$ 120 mil para criminosos que se passaram por familiares no chamado Golpe do Novo Número.

“É um golpe antigo, mas que infelizmente muitas pessoas acreditam devido ao uso de imagens reais de familiares que eles obtêm de redes sociais”, explica o delegado Thiago César de Oliveira, responsável pelo caso.

Segundo as apurações, o grupo comprava dados pessoais na internet e usava redes sociais para coletar informações sobre as vítimas.

“De posse desses dados, ele fazia contato se passando por filho, parente, primo, sobrinho e falando que estava passando por uma situação difícil e que precisava desses valores”, relata o delegado. A estrutura criminosa é investigada por associação criminosa, estelionato qualificado por fraude eletrônica e lavagem de dinheiro.

A operação é um desdobramento de investigações que já identificaram 157 ocorrências entre 2021 e 2024, com um esquema que usava aplicativos avançados para gerenciar perfis falsos no WhatsApp e reforçar a credibilidade das fraudes. Durante a Operação Mirum II, em 2023, um dos principais articuladores foi preso, o que permitiu desvendar a rede de participantes. Até agora, 51 pessoas foram investigadas, com 28 prisões em fases anteriores.

Trabalho conjunto é o caminho para proteger o cidadão’

O diretor de Operações Integradas e de Inteligência do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Rodney da Silva, destaca a importância da atuação conjunta: “A Operação Mirum III é um exemplo concreto da importância da atuação integrada entre as forças de segurança pública de diferentes estados e da aplicação estratégica da inteligência policial no enfrentamento às fraudes”.

Rodney da Silva, diretor de Operações Integradas e de Inteligência do Ministério da Justiça e Segurança Pública: “Operação Mirum III é um exemplo concreto da importância da atuação integrada entre as forças de segurança pública de diferentes estados”

O Ministério da Justiça e Segurança Pública reforçou que seguirá apoiando ações contra crimes digitais: “O trabalho conjunto é o caminho para proteger o cidadão e garantir a efetividade da Justiça”.

Os investigados respondem por estelionato com fraude eletrônica, associação criminosa e lavagem de dinheiro, com penas que podem chegar a 21 anos de prisão. Os nomes dos presos não foram divulgados.

Como funciona o golpe

O golpe do número novo lesa, ao menos, duas vítimas: a pessoa por quem os golpistas se passam e os familiares desta primeira vítima, para quem são solicitados transferências bancárias.

Para aplicar o golpe, os criminosos utilizam imagens de uma pessoa em uma conta no WhatsApp. As imagens costumam ser obtidas por meio das redes sociais.

Após isso, com o perfil falso em atividade, o grupo argumenta aos familiares que o número é novo. Na sequência, solicita a transferência de alguns valores para o pagamento de contas.

“É um golpe antigo, mas que infelizmente muitas pessoas acreditam devido ao uso de imagens reais de familiares que eles obtêm de redes sociais”, explica o delegado Thiago César, responsável pela investigação.

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