A Polícia Federal cumpriu na manhã desta sexta-feira (18/7) dois mandados de busca e apreensão em endereços relacionados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). As medidas foram tomadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República.
Bolsonaro é investigado pelos crimes de coação no curso do processo, obstrução da Justiça e ataque à soberania nacional.
Ele foi conduzido à Secretaria de Estado de Administração Penitenciária para colocar tornozeleira eletrônica.
Pela decisão, Bolsonaro, além de precisar usar tornozeleira, está proibido de utilizar as redes sociais. Ele precisará ficar em casa entre as 19h e as 7h, além de estar proibido de se comunicar com outros réus ou com embaixadores e diplomatas de outros países. Além disso, não poderá se ausentar da comarca do Distrito Federal.
O ex-presidente já teve o passaporte apreendido em fevereiro de 2024.
A deflagração da operação foi informada em uma nota curta pela PF, divulgada nesta sexta-feira. De acordo com a nota, “dois mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares diversas da prisão, em cumprimento a decisão do Supremo Tribunal Federal, no âmbito da PET n.º 14129”.
A PF comunicou ao STF que apreendeu uma cópia de uma ação contra o ministro do STF Alexandre de Moraes, um pen drive e US$ 14 mil em espécie na casa do ex-presidente.
Ao impor medidas restritivas, Alexandre de Moraes afirmou que o ex-presidente confessou uma tentativa de extorsão contra a Justiça brasileira ao condicionar o fim do tarifaço de Donald Trump à própria anistia.
Para o ministro, em tese a conduta configura os crimes de coação no curso do processo, obstrução de investigação que envolve organização criminosa e atentado à soberania nacional.
“A conduta do réu JAIR MESSIAS BOLSONARO […] é tão grave e despudorada que na data de hoje (17/7/2025), em entrevista coletiva, sem qualquer respeito à Soberania Nacional do Povo brasileiro, à Constituição Federal e à independência do Poder Judiciário, expressamente, confessou sua consciente e voluntária atuação criminosa na extorsão que se pretende contra a Justiça brasileira, CONDICIONANDO O FIM DA “TAXAÇÃO/SANÇÃO” À SUA PRÓPRIA ANISTIA”, escreveu Moraes.
Filhos e aliados repudiam decisão
Em nota, a defesa do ex-presidente afirmou ter recebido “com surpresa e indignação” a aplicação de tais medidas cautelares.
“A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu com surpresa e indignação a imposição de medidas cautelares severas contra ele, que até o presente momento sempre cumpriu com todas as determinações do Poder Judiciário. A defesa irá se manifestar oportunamente, após conhecer a decisão judicial”.
Em post publicado nas redes sociais, o líder do Partido Liberal (PL) na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante, lamentou a decisão da Justiça que determina o uso da tornozeleira eletrônica.
O PL também divulgou nota e manifestou “estranheza e repúdio” diante da operação da PF. Segundo a nota, assinada pelo presidente do partido, Valdemar Costa Neto, Jair Bolsonaro “sempre esteve à disposição das autoridades”.
Nas redes sociais parlamentares tanto da base do governo quanto da oposição reagiram à operação da Polícia Federal.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (foto), filho do ex-presidente, disse, em inglês, que o ministro Alexandre de Moraes “redobra a aposta” após a divulgação, no dia anterior, de um vídeo de Jair Bolsonaro direcionado ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Eduardo detalhou as restrições aplicadas ao pai. “Eu e meu irmão Carlos estamos sob investigação”, acrescentou.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chamou as medidas impostas pelo STF de “humilhação proposital” e afirmou que elas deixarão “cicatrizes nas nossas almas”. Em publicação nas redes sociais, disse que a proibição de comunicação entre pai e filho é “o maior símbolo do ódio” atribuído ao ministro Alexandre de Moraes, responsável pela decisão.
Também em rede social, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou que “um possível plano de fuga ficou mais difícil” após a imposição da tornozeleira eletrônica a Jair Bolsonaro. Marinho também mencionou que, diferentemente de uma “joia das Arábias”, o equipamento “não poderá ser desviado nem vendido”.
