A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta terça-feira (29/7), a Operação Korban para investigar o desvio de cerca de R$ 15 milhões em emendas parlamentares. Os recursos foram destinados à realização de jogos estudantis de esportes digitais no Distrito Federal e no Espírito Santo.
A Controladoria ligada ao Ministério do Esporte e a PF apuram irregularidades na Associação Moriá, que recebeu os repasses por meio de termos de fomento. Fundada em Anápolis e hoje sediada no DF, a entidade obteve quase R$ 46 milhões para executar o programa de incentivo a esportes eletrônicos.
O projeto previa a realização dos Jogos Educacionais Digitais (Jedis) em 2023 e 2024 com títulos como Free Fire, Valorant, League of Legends e eFootball.
Segundo a CGU, esses eventos deveriam “promover o desenvolvimento de estudantes da rede pública de ensino por meio de cursos profissionalizantes na área de jogos digitais e e-sports”, além de atividades pedagógicas.

A PF aponta indícios de “falsificação de orçamentos”, subcontratação de “empresas de fachada” e “ausência de rastreabilidade dos repasses”. O prejuízo estimado aos cofres públicos chega a R$ 13,2 milhões – mais de 80% do montante liberado.
As fraudes teriam ocorrido na elaboração de orçamentos e na contratação de prestadores de serviço que, na prática, não executaram as atividades previstas.
Ao todo, 16 mandados de busca e apreensão foram cumpridos no DF, no Acre, no Paraná e em Goiás. As ordens judiciais foram autorizadas pelo ministro Flávio Dino, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).
Durante as diligências, agentes apreenderam veículos, imóveis e bloquearam contas bancárias de empresas investigadas, totalizando cerca de R$ 25 milhões em bens e recursos indisponíveis.
Entre as medidas determinadas pelo STF está a “suspensão de novos repasses de recursos federais à associação investigada”. Ficou proibida, ainda, a transferência de valores “às empresas subcontratadas no âmbito dos termos de fomento analisados”.
Outro lado: senador diz que cancelou repasse
Entre os suspeitos está o contador Adriano Marrocos, apontado como articulador junto ao senador Izalci Lucas (PL-DF). Em nota, a defesa de Izalci afirmou que “cancelou o repasse do valor da emenda parlamentar que seria destinado à associação e que não teve nenhum contato com Adriano Marrocos sobre o tema”.

“É uma surpresa para mim. Ele foi presidente do CRC, membro do CFC e candidato pelo PSD em eleições anteriores”, disse o senador à TV Globo.
Em comunicado, a Associação Moriá declarou estar “à disposição para prestar todas as informações necessárias que demonstrem a lisura de seus procedimentos”.
“A equipe de advogados da entidade não teve acesso aos autos que determinaram a medida cautelar e, portanto, não se manifestará, ainda, por desconhecer as razões da decisão tomada pelo Eminente Ministro”, acrescentou a nota.
