Hoje é 6 de março de 2026 05:26

PF investiga desvio de R$ 15 milhões de emendas para eventos de jogos digitais

Associação Moriá, de Anápolis, é um dos alvos da ação, que também envolve destinação de recursos pelo senador Izalci Lucas, do PL do Distrito Federal
PF aponta indícios de “falsificação de orçamentos”, subcontratação de “empresas de fachada” e “ausência de rastreabilidade dos repasses” // Fotos: Reprodução/PF

A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta terça-feira (29/7), a Operação Korban para investigar o desvio de cerca de R$ 15 milhões em emendas parlamentares. Os recursos foram destinados à realização de jogos estudantis de esportes digitais no Distrito Federal e no Espírito Santo.

A Controladoria ligada ao Ministério do Esporte e a PF apuram irregularidades na Associação Moriá, que recebeu os repasses por meio de termos de fomento. Fundada em Anápolis e hoje sediada no DF, a entidade obteve quase R$ 46 milhões para executar o programa de incentivo a esportes eletrônicos.

O projeto previa a realização dos Jogos Educacionais Digitais (Jedis) em 2023 e 2024 com títulos como Free Fire, Valorant, League of Legends e eFootball.

Segundo a CGU, esses eventos deveriam “promover o desenvolvimento de estudantes da rede pública de ensino por meio de cursos profissionalizantes na área de jogos digitais e e-sports”, além de atividades pedagógicas.

A PF aponta indícios de “falsificação de orçamentos”, subcontratação de “empresas de fachada” e “ausência de rastreabilidade dos repasses”. O prejuízo estimado aos cofres públicos chega a R$ 13,2 milhões – mais de 80% do montante liberado.

As fraudes teriam ocorrido na elaboração de orçamentos e na contratação de prestadores de serviço que, na prática, não executaram as atividades previstas.

Ao todo, 16 mandados de busca e apreensão foram cumpridos no DF, no Acre, no Paraná e em Goiás. As ordens judiciais foram autorizadas pelo ministro Flávio Dino, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

Durante as diligências, agentes apreenderam veículos, imóveis e bloquearam contas bancárias de empresas investigadas, totalizando cerca de R$ 25 milhões em bens e recursos indisponíveis.

Entre as medidas determinadas pelo STF está a “suspensão de novos repasses de recursos federais à associação investigada”. Ficou proibida, ainda, a transferência de valores “às empresas subcontratadas no âmbito dos termos de fomento analisados”.

Outro lado: senador diz que cancelou repasse

Entre os suspeitos está o contador Adriano Marrocos, apontado como articulador junto ao senador Izalci Lucas (PL-DF). Em nota, a defesa de Izalci afirmou que “cancelou o repasse do valor da emenda parlamentar que seria destinado à associação e que não teve nenhum contato com Adriano Marrocos sobre o tema”.

Senador Izalci Lucas nega envolvimento com esquema de desvio de recursos públicos

“É uma surpresa para mim. Ele foi presidente do CRC, membro do CFC e candidato pelo PSD em eleições anteriores”, disse o senador à TV Globo.

Em comunicado, a Associação Moriá declarou estar “à disposição para prestar todas as informações necessárias que demonstrem a lisura de seus procedimentos”.

“A equipe de advogados da entidade não teve acesso aos autos que determinaram a medida cautelar e, portanto, não se manifestará, ainda, por desconhecer as razões da decisão tomada pelo Eminente Ministro”, acrescentou a nota.

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