Uma operação da Polícia Civil de Goiás com apoio da Polícia Militar resultou na prisão dos soldados Mateus Barbosa dos Santos e Luiz Fernando Liessi do Nascimento. Os dois PMs são suspeitos de extorquir e torturar duas mulheres que trabalhavam em um depósito de reciclagem no Jardim Nova Esperança, na região noroeste de Goiânia. Uma das vítimas não resistiu aos ferimentos e morreu, enquanto a outra, que estava grávida, acabou perdendo o bebê após as agressões.
As investigações apontam para uma rotina de abusos durante abordagens no local de trabalho das vítimas, que seriam usuárias de drogas. Além de espancar as mulheres com tapas, golpes de facão e arremessos contra paredes e ferragens, os policiais recolhiam dinheiro e objetos pessoais. A vítima que veio a óbito sofreu traumatismo cranioencefálico grave em decorrência dos espancamentos.
Segundo a decisão judicial que autorizou as prisões, o soldado Mateus Barbosa executava as agressões físicas, enquanto o soldado Luiz Fernando filmava as ações. Para tentar encobrir os crimes e impedir a identificação do padrão de violência, a dupla chegou a destruir câmeras de segurança instaladas no imóvel da reciclagem.
O cumprimento dos mandados de prisão temporária e de busca e apreensão mobilizou equipes da Delegacia Estadual de Investigação de Homicídios (DIH), da Corregedoria da PMGO, do Bope e do Grupo Tático 3 (GT3). O soldado Mateus foi detido em sua residência enquanto estava de folga.
Já o soldado Luiz Fernando foi preso durante o expediente de serviço, sendo desarmado e conduzido para o exame de corpo de delito antes de ir à delegacia. Ambos foram encaminhados ao Presídio Militar da capital.
Defesa nega acusações e Corregedoria da PM acompanha caso
Em nota, a Polícia Militar de Goiás informou que a Corregedoria da corporação foi comunicada previamente sobre a operação e acompanhou o cumprimento de todos os mandados judiciais, prestando o apoio logístico necessário durante as prisões dos policiais.
A defesa dos soldados Mateus Barbosa dos Santos e Luiz Fernando Liessi do Nascimento alegou que não existem provas concretas na investigação que comprovem o envolvimento dos policiais nas acusações de tortura, extorsão e homicídio. O caso segue em apuração pela Polícia Civil para esclarecer a motivação e localizar novos elementos que auxiliem no processo.

