O Vila Nova voltou à liderança da Série B do Campeonato Brasileiro após vencer o América-MG por 1 a 0, na sexta-feira (18/9), no Estádio Onésio Brasileiro Alvarenga (OBA). O gol foi marcado pelo atacante André Luís. O resultado, combinado com os tropeços de concorrentes, recolocou o time goiano na primeira posição da competição.
Vice-presidente do clube e presidente da Câmara Municipal de Goiânia, Romário Policarpo atribui o momento vivido pelo Tigre à combinação entre o apoio da torcida, planejamento e reorganização financeira. Para o dirigente, a participação dos vilanovenses tem papel importante na campanha apresentada pela equipe ao longo da temporada.
“A torcida do Vila tem carregado a gente de uma forma que ninguém pode explicar. Obviamente, a gente não tem a maior torcida do país, mas temos uma torcida apaixonada, que carrega o time da maneira como ela tem carregado”, afirmou Policarpo.
O dirigente também relacionou o desempenho esportivo ao processo de reorganização financeira do clube. Segundo ele, a busca por maior liquidez permitiu ampliar as condições para montagem e manutenção de um elenco competitivo.
A reestruturação citada por Policarpo envolve também medidas relacionadas à redução de passivos e à obtenção de recursos para o futebol. Em junho deste ano, uma articulação entre a Câmara de Goiânia e a Assembleia Legislativa de Goiás resultou no repasse de R$ 1,5 milhão ao Vila Nova. O valor fez parte de um pacote de R$ 5,5 milhões destinado a clubes goianos, com recursos provenientes de economias realizadas pelos dois Legislativos.
De acordo com informações divulgadas à época, o Vila Nova recebeu uma cota equivalente à destinada aos outros dois principais clubes da capital. A iniciativa foi apresentada como apoio à formação de atletas e ao desenvolvimento do futebol goiano.
Outra frente mencionada pelo dirigente envolve o Refis de 2023. Segundo Policarpo, houve articulação para incluir uma emenda que permitiu a compensação de aproximadamente R$ 7 milhões em dívidas de Imposto Sobre Serviços (ISS) atribuídas ao Vila Nova.
A medida alcançou também outros clubes goianos. Conforme os dados apresentados pelo dirigente, as principais equipes acumulavam juntas cerca de R$ 64 milhões em débitos e assumiram contrapartidas relacionadas à prestação de serviços sociais. Entre elas estava a oferta de vagas gratuitas de iniciação esportiva para crianças e adolescentes.
No caso específico do Vila Nova, o processo de reorganização financeira também envolveu o enfrentamento de passivos trabalhistas e judiciais. Segundo o clube, a gestão iniciada em 2020 encontrou aproximadamente 220 processos envolvendo ações cíveis, trabalhistas e demandas na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD).
Ainda de acordo com as informações apresentadas por Policarpo, cerca de R$ 20 milhões foram destinados nos últimos anos ao pagamento de compromissos herdados de administrações anteriores. Somente no último semestre, seis execuções trabalhistas teriam sido encerradas mediante pagamentos superiores a R$ 1,1 milhão.
Para o dirigente, a redução dessas pendências contribui para ampliar a previsibilidade financeira e criar condições para que o departamento de futebol trabalhe com menor pressão de compromissos acumulados.
Relação com a torcida

Além dos números financeiros, Policarpo atribui parte importante do momento vivido pelo clube à relação entre o Vila Nova e seus torcedores. Segundo ele, a atual campanha representa uma oportunidade de recuperar o entusiasmo das arquibancadas e ampliar a percepção sobre o potencial do clube.
“O torcedor está tendo a oportunidade de lavar a alma dele e de torcer pelo seu time. E, principalmente, de mostrar o tamanho que é o Vila Nova. Talvez nem a imprensa saiba qual é o tamanho do Vila Nova e o que ele pode atingir”, declarou.
A avaliação do dirigente ocorre em uma temporada na qual o Vila Nova vem se mantendo entre os primeiros colocados da Série B. A equipe também alcançou a liderança após a vitória sobre o América-MG, embora a classificação dependa da sequência de resultados da rodada.
Policarpo, no entanto, evita estabelecer um limite para o projeto. Segundo ele, o processo de reconstrução ainda está em uma etapa inicial e o potencial do clube pode ser maior do que os resultados atuais indicam.

“Eu não posso dizer onde é que a gente quer chegar, porque ninguém sabe onde que isso tudo pode chegar. É muito grande. A gente não atingiu nem metade do potencial que o Vila Nova tem”, afirmou.
O dirigente também relaciona o projeto à recuperação do vínculo entre clube e torcida. Para ele, mais do que os resultados imediatos, o objetivo é reconstruir a identificação dos torcedores com a camisa do Vila Nova.
“Se Deus abençoar e for da vontade dele a gente alcançar esse acesso, a gente vai começar a multiplicar o nosso sonho. Mas o meu sonho é só que o torcedor do Vila Nova continue sorrindo como eu estou sorrindo”, disse.
A combinação entre desempenho esportivo, reorganização financeira e participação da torcida coloca o Vila Nova diante de uma sequência decisiva na Série B. Com a competição avançando para as rodadas finais, a gestão do elenco e das finanças passa a dividir espaço com a disputa dentro de campo, enquanto o clube busca transformar a recuperação administrativa em resultados esportivos sustentáveis.

