A Polícia Civil de Goiás (PCGO) deflagrou na manhã desta segunda-feira (19/10) a segunda fase da Operação Terreno de Papel, contra uma organização criminosa especializada em fraudes imobiliárias. A ação foi realizada por meio do Grupo Especial de Investigações Criminais (Geic) de Aparecida de Goiânia, com o apoio da Delegacia Municipal de Hidrolândia.
O grupo investigado atuava mediante a falsificação de contratos de compra e venda, uso de procurações fraudulentas e transferência irregular de propriedades. Durante o cumprimento dos mandados, os agentes apreenderam mapas de loteamentos, contratos com indícios de falsidade ideológica e uma máquina de escrever antiga.
As investigações apontam que o maquinário antigo era utilizado deliberadamente pelos suspeitos para conferir aparência de antiguidade aos documentos. A quadrilha mapeava loteamentos comercializados há mais de 20 anos, cujos compradores originais haviam quitado os terrenos, mas faleceram antes de formalizar as escrituras definitivas.
Com base em certidões de óbito e dados pessoais das vítimas, o grupo confeccionava contratos fraudulentos simulando negociações feitas ainda em vida. Além das máquinas de escrever, os documentos eram submetidos a técnicas de envelhecimento artificial para enganar os órgãos de fiscalização.
Após a confecção dos papéis, os investigados apresentavam às incorporadoras procurações supostamente lavradas em cartórios de outros estados, com destaque para o Maranhão e o Pará. Embora aparentassem ser documentos públicos autênticos, os papéis continham declarações falsas usadas para obter autorizações de lavratura de escrituras.
Com as autorizações em mãos, os imóveis eram registrados em nome de terceiros utilizados como “laranjas”, incluindo pessoas em situação de rua. Na sequência, os terrenos eram revendidos para terceiros que, na maioria dos casos, desconheciam a origem criminosa de toda a documentação.
Nesta nova etapa das diligências, a Polícia Civil busca identificar outros integrantes do esquema, mapear novos imóveis transferidos ilegalmente e localizar potenciais vítimas. Todo o material apreendido passará por perícia técnica para consolidar os vínculos entre os investigados e apurar outras transações suspeitas.
A investida reforça uma sequência de ações da PCGO no combate a golpes no setor imobiliário goiano ao longo do último ano. Em setembro de 2026, a Operação Broker Scammer prendeu um corretor em Goiânia por reter aluguéis de luxo e cobrar garantias inexistentes, gerando prejuízo superior a R$ 1,1 milhão.
O histórico recente do combate às fraudes no setor também inclui a prisão de uma corretora em fevereiro de 2025, investigada por causar impacto superior a R$ 5 milhões ao vender imóveis sem autorização em Silvânia e Vianópolis. Já em julho de 2025, um falso corretor que utilizava indevidamente marcas do setor foi detido em Goiânia após ter o registro cassado pelo Creci-GO.

