Hoje é 7 de março de 2026 10:26

Polícia investiga fraude em contrato milionário da saúde de Goiânia

Contrato de R$ 11,6 milhões assinado em 2024, na gestão do ex-secretário Wilson Pollara, foi pago em pouco mais de 30 dias
Operação Pagamento Imediato cumpriu 13 mandados de busca e apreensão em cidades de Goiás, Tocantins, São Paulo e no Distrito Federal // Fotos: PCGO

A Polícia Civil de Goiás realizou uma operação nesta terça-feira (18/11) para investigar uma suspeita de fraude em um contrato da Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia. O acordo, no valor de R$ 11,6 milhões, foi firmado em junho de 2024 pela gestão do ex-prefeito Rogério Cruz com o Instituto Idesp, empresa sediada em Palmas, no Tocantins. O secretário de Saúde de Goiânia na épora era Wilson Pollara, alvo de outras operações policiais.

Segundo as investigações, o pagamento integral foi realizado em um prazo muito inferior ao estipulado, em pouco mais de 30 dias. A polícia não encontrou comprovação da prestação dos serviços de modernização administrativa previstos no contrato.

O delegado Cleybio Januário, da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra a Administração Pública (Decarp), afirmou que “foi verificada uma discrepância muito grande entre o que constava no contrato e o que ocorreu na prática”. O contrato estabelecia que os serviços seriam executados ao longo de 24 meses, com pagamentos em 12 parcelas.

A empresa contratada não tinha especialização na área de modernização administrativa, sendo voltada para atendimento médico em Palmas. De acordo com a investigação, o instituto teria sido simplesmente “encontrado na internet” antes de ser contratado sem licitação.

A operação cumpriu 13 mandados de busca e apreensão em Goiás, Tocantins, São Paulo e no Distrito Federal. Durante as ações, a polícia localizou um dos investigados em uma residência de luxo, onde foram apreendidos cinco veículos de alto valor, computadores e documentos.

O delegado ressaltou que os investigados “vivem uma vida bastante luxuosa”. Além das buscas, a operação executou medidas cautelares de quebra de sigilo bancário e fiscal, suspensão de atividade econômica e sequestro de bens.

O Instituto Idesp informou em nota que a situação está sendo averiguada pelas instâncias competentes e que mantém compromisso com a transparência e a ética. A empresa afirmou que continua colaborando com as autoridades.

Cumprimento de mandados de busca e apreensão em endereço em Palmas

O advogado do ex-secretário Municipal de Saúde Wilson Pollara disse que conversará com seu cliente e só depois dará um posicionamento. A assessoria do ex-prefeito Rogério Cruz alegou que ele não é alvo da operação e está à disposição para esclarecimentos.

A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia informou que a empresa foi contratada pela gestão anterior e que a suspensão do convênio foi um dos primeiros atos da atual administração. A pasta ressaltou que nenhuma ação foi realizada na secretaria durante a operação.

As investigações começaram após um relatório da Gerência de Ações Estratégicas e apuram os crimes de associação criminosa, contratação direta ilegal e fraude em licitação. Os nomes dos investigados não foram divulgados pela polícia.

Rapidez no pagamento gerou suspeita de fraude

Segundo a Polícia Civil, as investigações começaram após um relatório da Gerência de Ações Estratégicas. Com a apuração, foram identificados indícios de irregularidade no acordo de R$ 11,6 milhões.

De acordo com o delegado Cleybio Januário o contrato deveria ter sido pago em 12 parcelas mensais após a prestação do serviço.

“Contudo, não foi verificado nenhum comprovante da prestação desse serviço e o valor foi pago em pouco mais de 30 dias e foi realizado sem licitação”, explicou o delegado.

Alguns veículos apreendidos em poder dos investigados chegam a ter preço de R$ 400 mil

A investigação apontou indícios de irregularidade tanto na escolha da empresa quanto na execução contratual. A polícia verificou que houve destinação de recursos antes mesmo da formalização do contrato.

Os indícios se confirmaram durante a operação desta terça-feira (18/11), quando foi constatado que os investigados “vivem uma vida bastante luxuosa”. Além de documentos, foram apreendidos carros de luxo avaliados em mais de R$ 400 mil cada.

Com o cumprimento dos mandados, a polícia busca concluir a investigação e encerrar o inquérito com a possibilidade de indiciamento por associação criminosa, contratação direta ilegal e fraude em execução de contrato.

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