Hoje é 21 de outubro de 2026 08:11

Problemas de visão podem ser confundidos com dificuldades de aprendizagem

Comportamentos como evitar a leitura, franzir os olhos ou coçá-los durante atividades podem indicar alterações que precisam de avaliação oftalmológica
Uma criança que apresenta dificuldade para acompanhar atividades escolares pode precisar de investigação que considere não apenas a visão, mas também aspectos auditivos, neurológicos e pedagógicos, dependendo de cada caso // Foto: Magnific

Dificuldades apresentadas por crianças durante atividades de leitura, escrita e acompanhamento das aulas nem sempre estão relacionadas exclusivamente ao processo de aprendizagem. Alterações na visão também podem interferir no desempenho escolar e, em determinadas situações, fazer com que sinais de um problema oftalmológico sejam confundidos com outras dificuldades. A identificação precoce é importante para que a criança receba a avaliação e o acompanhamento adequados.

Entre os comportamentos que podem chamar a atenção de pais, responsáveis e professores estão evitar atividades que exigem leitura, aproximar excessivamente o rosto de livros e cadernos, franzir os olhos para enxergar, coçar os olhos com frequência ou demonstrar resistência diante de conteúdos que exigem esforço visual.

O presidente da Sociedade Goiana de Oftalmologia (SGO), Leiser Franco, explica que o ambiente escolar pode ser um ponto importante para a percepção desses sinais. Segundo ele, professores acompanham diariamente o comportamento dos estudantes e podem identificar mudanças que nem sempre são percebidas em casa.

“Esse profissional percebe aquela criança que tem dificuldade no aprendizado. A partir dessa identificação ele pode direcionar ao coordenador de ensino ou falar com a própria família”, afirma o oftalmologista.

A observação, porém, não substitui a avaliação médica. Uma criança que apresenta dificuldade para acompanhar atividades escolares pode precisar de investigação que considere não apenas a visão, mas também aspectos auditivos, neurológicos e pedagógicos, dependendo de cada caso.

Alterações que merecem atenção

Problemas como estrabismo, hipermetropia e ambliopia estão entre as alterações oftalmológicas que podem afetar a experiência da criança diante das atividades escolares. No estrabismo, os olhos não permanecem alinhados na mesma direção. Já a hipermetropia é um erro de refração que pode dificultar a focalização adequada, especialmente em determinadas situações.

A ambliopia, conhecida popularmente como “olho preguiçoso”, também exige atenção porque pode comprometer o desenvolvimento visual quando não identificada e tratada adequadamente durante a infância.

Essas condições não devem ser confundidas com transtornos específicos de aprendizagem. A dislexia, por exemplo, é um transtorno de origem neurobiológica associado a dificuldades relacionadas principalmente à leitura e à escrita. Por isso, diante de dificuldades persistentes, a recomendação é buscar avaliação profissional em vez de atribuir o comportamento da criança a uma única causa.

Para a gerente de inclusão da Secretaria Municipal de Educação de Goiânia, Lliana Gusmão, a percepção dos professores contribui para o encaminhamento dos alunos que apresentam dificuldades específicas.

“Quando o professor compreende como a nossa visão é formada, como ela consolida o conhecimento, ele fica melhor preparado e treinado para estar mais atento aos sinais de que há um problema”, afirma.

Acompanhamento começa nos primeiros dias de vida

A prevenção dos problemas visuais começa ainda na maternidade. De acordo com Leiser Franco, o chamado teste do olhinho deve ser realizado nas primeiras horas de vida, preferencialmente até 72 horas após o nascimento, e acompanhado posteriormente conforme a orientação médica.

O especialista também recomenda que a criança passe por uma primeira avaliação oftalmológica completa entre 6 e 12 meses de idade. Nessa fase, o profissional pode verificar estruturas oculares, fundo de olho e alinhamento dos olhos.

Entre 3 e 5 anos, a avaliação deve voltar a receber atenção, com acompanhamento da acuidade visual e investigação de alterações como estrabismo e ambliopia.

Presidente da Sociedade Goiana de Oftalmologia (SGO), Leiser Franco // Foto: Reprodução

“A periodicidade posterior deve ser definida conforme as condições individuais da criança e a orientação do oftalmologista”, explica Leiser Franco.

A atenção aos sinais dentro de casa e na escola, portanto, funciona como parte de uma rede de cuidado. Quando uma criança evita determinadas tarefas, apresenta dificuldade recorrente para enxergar o que está no quadro ou demonstra desconforto durante a leitura, o comportamento merece ser observado com atenção.

O olhar do professor pode contribuir para que a família perceba a necessidade de investigação, mas o diagnóstico depende de avaliação especializada. Com acompanhamento adequado, alterações visuais podem ser identificadas mais cedo e tratadas antes que interfiram de maneira mais significativa no desenvolvimento escolar e na qualidade de vida da criança.

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