A Polícia Civil de Goiás deflagrou nesta quinta-feira (5/3) a Operação Gold Souk para desarticular um esquema de fraude fiscal e sonegação envolvendo uma rede de joalherias suspeita de atuar como um único grupo econômico, mas com diversos CNPJs e sócios de fachada. A ação, conduzida pela Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra a Ordem Tributária (DOT) em conjunto com a Secretaria da Economia, cumpriu 13 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Poder Judiciário nas cidades de Goiânia, Aparecida de Goiânia e Senador Canedo. A rede empresarial possui lojas nessas cidades, principalmente em shopping centers, além de comércio via redes sociais.
Segundo o relatório policial, as investigações apontam que várias empresas do mesmo segmento operavam de fato sob controle administrativo e financeiro comum, embora mantivessem CNPJs e quadros societários formalmente registrados em nomes de familiares e conhecidos. A prática, conhecida como interposição fraudulenta de pessoas, teria sido utilizada para fragmentar artificialmente o faturamento e manter o enquadramento no regime simplificado do Simples Nacional. Com esse artifício, o grupo empresarial paga bem menos imposto do que o devido.

Os mandados visaram recolher documentos e sistemas contábeis que comprovem a real atuação do grupo econômico e a eventual ocultação de receitas. As apurações buscam demonstrar a utilização de “laranjas”, a divisão artificial de empresas e outras manobras contábeis que possibilitariam o pagamento reduzido de tributos estaduais e municipais. As diligências incluíram busca por contratos, notas fiscais, registros bancários e arquivos digitais.
A autoridade policial informa que, se confirmadas as práticas investigadas, os responsáveis poderão responder por crimes contra a ordem tributária, sonegação fiscal e formação de organização criminosa. Também estão previstas medidas administrativas por parte do Fisco para ressarcimento dos créditos tributários supostamente omitidos, além de aplicação de multas por crimes tributários.
As operações foram realizadas de forma integrada entre a DOT e a Secretaria da Economia para assegurar a eficácia da ação fiscal e criminal. Fontes oficiais afirmam que equipamentos eletrônicos e documentos foram apreendidos para análise pericial e para subsidiar pedidos judiciais futuros, como bloqueios e sequestro de bens, caso se comprovem indícios robustos de fraude.
A Polícia Civil não divulgou os nomes das empresas investigadas nem dos sócios, alegando que a restrição acompanha o curso das apurações e visa preservar o sigilo das diligências. Ainda assim, a divulgação da operação tem o objetivo de identificar eventuais outras vítimas ou indícios de atuação irregular em diferentes municípios.
As investigações prosseguem e a DOT informou que novos desdobramentos serão comunicados ao longo das próximas semanas, conforme a análise dos documentos apreendidos e a evolução das medidas judiciais. A Secretaria da Economia reiterou que continuará apoiando ações de combate à sonegação e às fraudes fiscais para proteger a arrecadação e a concorrência leal no setor.
