A Romaria de Nossa Senhora d’Abadia do Muquém voltou a reunir milhares de fiéis em uma das principais manifestações de fé do calendário religioso de Goiás. Em 2026, a celebração chega à 278ª edição com mais de 400 mil participantes de diferentes regiões do Estado e de outras partes do país, consolidando o povoado de Muquém, em Niquelândia, como um dos principais pontos de peregrinação religiosa do Centro-Oeste.
Durante a missa solene realizada neste sábado (15/8), Dia de Nossa Senhora d’Abadia, o governador Daniel Vilela participou da programação acompanhado da primeira-dama Iara Vilela.
A presença do chefe do Executivo estadual também marcou a transferência simbólica do Governo de Goiás para o povoado, localizado a cerca de 45 quilômetros de Niquelândia.
Daniel destacou a importância histórica da romaria e afirmou que o Estado pretende ampliar as condições de acolhimento aos peregrinos.

“É a demonstração do reconhecimento do Governo de Goiás perante a mais antiga e histórica romaria do nosso estado. Temos constantemente discutido melhorias para que a gente possa, a cada ano, receber ainda melhor todos os romeiros”, afirmou.
A programação começou no dia 5 de agosto e inclui novenas, missas e peregrinações ao Santuário Diocesano de Nossa Senhora d’Abadia do Muquém. Além do significado religioso, a movimentação de centenas de milhares de pessoas tem reflexos na economia local e na cadeia de serviços mobilizada durante o período da festa.
Um dos principais pontos de apoio aos visitantes foi instalado pelo Governo de Goiás, por meio da Organização das Voluntárias de Goiás (OVG). O Centro de Apoio ao Romeiro (CAR) contou com uma equipe de 100 pessoas em funcionamento durante 24 horas para prestar assistência aos fiéis.

Para o reitor do Santuário, padre Cornélio José dos Santos, a estrutura representa um avanço no atendimento aos peregrinos.
“É a primeira vez que o Goiás Social fez esta experiência, trouxe uma parte da estrutura para dentro do santuário. Um trabalho de excelência e acredito que, ano que vem, teremos muito mais”, afirmou.
A dimensão da romaria também pode ser percebida pela quantidade de pessoas que permanecem na região durante os festejos. Segundo a organização, aproximadamente 200 mil fiéis montam acampamentos nos arredores do santuário todos os anos, transformando temporariamente a paisagem e a dinâmica do povoado.
Rodovias recebem investimentos
O aumento do fluxo de veículos e peregrinos durante a romaria também exigiu intervenções na infraestrutura viária da região. O Governo de Goiás informa que restaurou 7 quilômetros da GO-237, no trecho de acesso ao Muquém, com investimento de R$ 1,6 milhão.
Outra frente contemplou a ligação entre Muquém e Uruaçu, com melhorias em 133 quilômetros de rodovias. Os serviços integram um pacote de R$ 97,5 milhões destinado à recuperação de 260 quilômetros de estradas no Norte goiano.
As intervenções têm impacto direto sobre a segurança e a mobilidade dos romeiros, especialmente durante os dias de maior concentração de visitantes, quando o tráfego na região aumenta significativamente.

Além da infraestrutura, a romaria mantém como principal elemento as histórias pessoais de fé e devoção. A experiência é vivenciada de diferentes formas pelos peregrinos, que percorrem longas distâncias e participam das celebrações religiosas movidos por promessas, agradecimentos e pedidos.
Aos 64 anos, Maria Lúcia Gomes relatou que atribui à experiência vivida no Muquém uma mudança importante em sua vida. “Tinha uma depressão, uma ansiedade, perdia a noite sem dormir, era muito nervosa, estressada. Eu peguei a fila, vim e, quando saí daqui, já tinha sido liberta. Agora e até hoje durmo bem, graças a Deus”, contou.
Com quase três séculos de história, a Romaria do Muquém mantém sua relevância religiosa ao mesmo tempo em que amplia o papel de Goiás no segmento do turismo de fé. A combinação entre tradição, fluxo de visitantes, estrutura pública e investimentos em acesso transforma o evento não apenas em uma celebração religiosa, mas também em um importante movimento social, cultural e econômico para o Norte goiano.

