Vazamentos de mensagens atribuídas ao ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, expuseram uma rede de aproximação do empresário com o entorno de três integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF): Kassio Nunes Marques, Luiz Fux e André Mendonça. Os diálogos vieram à tona durante a sessão extraordinária promovida pela Corte nesta terça-feira (15/9).
As conversas registram referências a pagamentos ao advogado Kevin Marques, filho do ministro Nunes Marques. Em diálogos entre Vorcaro e o então diretor jurídico do Banco Master, Luiz Rennó, são citadas quantias de R$ 500 mil mensais que seriam repassadas por meio da Consult Inteligência Tributária. Dados do Coaf indicam movimentação de R$ 6,6 milhões do Master para a empresa. Kevin Marques negou qualquer vínculo com o banco ou com Vorcaro, afirmando ter recebido R$ 281,6 mil da Consult por serviços estritamente tributários.
O material inclui ainda mensagens sobre o financiamento de uma viagem para cinco pessoas encomendada por Nunes Marques, com percurso previsto por Viena, Bratislava e Budapeste. O ministro declarou-se impedido de participar do julgamento promovido pelo plenário.
No caso de Luiz Fux, as interações com seu filho, o advogado Rodrigo Fux, indicam pedidos de ajuda profissional por parte do ex-banqueiro, agendamento de encontros em várias cidades e ofertas de convites para camarotes no Carnaval do Rio de Janeiro. A assessoria do advogado afirmou que ele nunca recebeu valores de Vorcaro e que a aproximação comercial não se concretizou.
Já as menções a André Mendonça envolvem o advogado Ciro Soares, responsável por aproximar o empresário do gabinete do magistrado. Em trechos extraídos do celular do ex-banqueiro, Soares comemora a concessão de um habeas corpus ao ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro, assinado por Mendonça, além de intermediar convites para eventos institucionais.
Apesar de revelarem o acesso de Vorcaro aos bastidores dos gabinetes de Brasília, os registros são fragmentados e não comprovam a efetivação de repasses ou a interferência dos magistrados em decisões judiciais.
Sessão no STF tem clima tenso, bate-boca e trocas de acusações
A sessão marcada para avaliar o pedido de abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes começou com forte tensão, bate-boca e manifestação de impedimentos entre os integrantes do STF. O julgamento foi suspenso pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin, e será retomado no período da tarde.

Primeiro a se pronunciar na tribuna, o ministro Nunes Marques afirmou que nunca trocou mensagens com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e defendeu a conduta de seu filho. Contudo, declarou-se impedido de votar no caso para preservar a estabilidade institucional diante do cenário político-eleitoral. Na sequência, Dias Toffoli também se declarou suspeito para atuar nos processos relativos ao Banco Master.
Do plenário, Alexandre de Moraes rebateu as acusações e criticou abertamente o ministro André Mendonça, relator do caso Master, acusando-o de atuar em favor de um grupo político. Os ministros Gilmar Mendes e Flávio Dino questionaram a condução dos procedimentos e defenderam o adiamento do julgamento, apontando viés eleitoral no vazamento das informações. Durante os debates, Gilmar chegou a trocar farpas e apontar o dedo para Mendonça, que prometeu responder às declarações no momento regimental oportuno.
A sessão será retomada ainda esta tarde.

