Um casal foi preso em flagrante nesta segunda-feira (6/7) suspeito de manter os quatro filhos — um bebê de três meses e três adolescentes de 12, 14 e 17 anos — em condições severas de maus-tratos e abandono. O flagrante ocorreu na região leste de Aparecida de Goiânia, após uma denúncia mobilizar o Conselho Tutelar e a Guarda Civil Municipal (GCM).
No imóvel, os agentes constataram um cenário de extrema insalubridade e escassez de alimentos. As vítimas apresentavam sinais evidentes de desnutrição crônica. Dois dos adolescentes eram mantidos trancados em um quarto sem janelas e sem banheiro, sendo obrigados a fazer as necessidades fisiológicas no chão. A GCM precisou arrombar a porta para retirá-los.
“O casal estava deitado, ficaram assustados, mas foram detidos pela equipe da Guarda Civil. Tivemos de arrombar a porta do quarto onde dois adolescentes estavam, já que estava trancada”, relatou o comandante da GCM, inspetor Milton Sobral. Ele detalhou ainda que o bebê foi encontrado deitado em um colchão.
Diante da gravidade do quadro de saúde, o Samu foi acionado. Após avaliação médica, os três adolescentes precisaram ser internados imediatamente devido ao estado avançado de desnutrição. O bebê recebeu atendimento médico, foi liberado pelas equipes de saúde e encaminhado à rede de proteção.
Além dos maus-tratos, a polícia constatou que o adolescente de 14 anos, que tem transtorno do espectro autista (TEA), é beneficiário do BPC. Há fortes indícios de que os recursos do menor eram utilizados de forma indevida pelos responsáveis, em vez de serem aplicados em seu cuidado.

O homem, de 41 anos, e a mulher, de 39, foram levados à Central Geral de Flagrantes e autuados por maus-tratos contra menores de 14 anos, cárcere privado e apropriação de benefício de pessoa com deficiência. O caso segue sob investigação da Polícia Civil. Por não terem os nomes divulgados, o portal não localizou a defesa dos suspeitos.
A Secretaria de Assistência Social do município informou que o bebê e os três adolescentes foram encaminhados para unidades de acolhimento institucional. As vítimas já recebem acompanhamento médico especializado e suporte psicológico da rede de proteção integral.

